14.11.18

13.11.18

12.11.18

Carta de Bolonha, 1248 E.V.









Statuta et Ordinamenta Societatis Magistrorum Tapia et Lignamiis




Carta de Bolonha, 1248 E\V\





Tradução Luc Bonneville 2005


Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


O ano do Senhor de 1248, indicção sexta.





Estatutos e Regulamentos dos Mestre do Muro e da Madeira

Eis aqui os estatutos e regulamentos da sociedade dos mestres do muro de da madeira, feitos em honra a Deus, a Nosso Senhor Jesus Cristo, à Bem-Aventurada Virgem Maria e a todos os santos, e para a honra e bem estar da cidade de Bolonha e da sociedade de ditos mestres, respeitando a honra do podestade1 e capitão de Bolonha que a governa ou governam ou governarão no futuro, e respeitando os estatutos e regulamentos da comuna de Bolonha feitos e por fazer. E que a todos os estatutos que se seguirem se apliquem a partir do dia de hoje, o ano 1248, indicção2 sexta, o oitavo dia de agosto.

I Juramento dos supracitados mestres


Eu, mestre da madeira e do muro que sou, ou serei, da sociedade de ditos mestres, juro, em honra a nosso Senhor Jesus Cristo, à Bem-Aventurada Virgem Maria e a todos os santos, e em honra ao podestade e capitão que é agora ou serão no futuro, e para a honra e bem estar da cidade de Bolonha, aceitar e obedecer às ordens do podestade e capitão de Bolonha e de todos os que sejam governantes da cidade de Bolonha, aceitar e obedecer todas e cada uma das ordens que me deem o maceiro3 e os oficiais da sociedade dos mestres da madeira e do muro, ou um deles, pela honra e bom nome da sociedade, e conservar e manter a sociedade e os membros da sociedade em bom lugar, e de guardar e manter os estatutos e regulamentos da sociedade tal e como estão regulados agora ou serão no futuro, com respeito a tudo aos estatutos e regulamentos da comuna de Bolonha, estando preciso que estarei obrigado [e ele] a partir da [minha] entrada, e que serei livre após [minha] saída.

E se sou chamado a dirigir a sociedade, não recusarei, mas aceitarei a direção e em consciência dirigirei, conduzirei e preservarei a sociedade e os membros da sociedade. E repartirei equitativamente as tarefas entre os membros da sociedade segundo o que eu e o conselho de mestres julgarmos conveniente. E darei e farei dar as sanções que comportam os estatutos da sociedade e, na ausência de regras estatutárias, imporei as sanções segundo a vontade do conselho. E todas as sanções que inflija por qualquer feito

1   Podestade: Na Idade Média, magistrado encarregado da polícia em cidades centrais e setentrionais da Itália (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).
2   Indicção origina-se do ciclo de 15 anos julianos completos que os romanos usavam nas bulas pontificais, sendo denominado indicção em decorrência do imposto indictio tributaria que os romanos cobravam de suas províncias para subsistência dos soldados que tinham servido pelo menos 15 anos. Para determinar seu valor, adicionam-se três unidades ao ano considerado e divide-se a soma por 15. O resto da divisão é o número de ordem que o ano ocupa no ciclo e o quociente indica quantos ciclos decorrem desde o início da era cristã. Se o resto for nulo, a indicção romana é 15.
3   Maceiro: funcionário que, em certas cerimônias religiosas ou civis, empunha um bastão ou maça e a traz como distintivo; porta-maça. (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).


que seja, as farei por escrito em um caderno e as transmitirei e darei ao maceiro da sociedade. E as sanções, os fundos ou soldos da sociedade, os estatutos, e tudo o que dos fundos da sociedade estiver em seu poder, e todos os escritos ou escrituras referidas à sociedade, o maceiro está obrigado, nos termos que estabelecem os estatutos, a transmiti-los e entregá-los ao maceiro sucessor na assembleia da sociedade, sob pena de uma multa de vinte soldos bolonheses. E os inspetores de contas estão obrigados a controlar isso e a pronunciar uma sanção na assembleia da sociedade a menos que seja impedido por uma decisão do conselho da sociedade unânime ou por maioria, ou porque exista uma boa razão. E se, como oficial, quero impor uma contribuição para os gastos da sociedade, exporei em primeiro lugar a razão ao conselho, e esta será imposta tal como decidir o conselho unanimemente ou por maioria.

II Das palavras injuriosas contras os oficiais ou o maceiro


Estatuímos e ordenamos que se alguém da sociedade disser palavras injuriosas contra os oficiais ou o maceiro ou contra o escrivão, ou se os acusar de mentir, que seja sancionado em o pagamento de 10 soldos bolonheses.

III Das sanções aos que não se apresentarem tendo sido convocados para o local fixado


Estatuímos e ordenamos que se alguém for convocado pelos oficiais, pelo maceiro ou pelo núncio a vir ao lugar onde a sociedade se congrega, está obrigado a vir cada vez e tão frequentemente quanto se lhe peça ou ordene, sob pena de uma multa de seis denários. Estatuímos e ordenamos que cada um está obrigado a vir ao lugar onde a sociedade se congrega cada vez e tão frequentemente quanto lhe seja ordenado ou pedido pelos oficiais ou pelo maceiro ou pelo núncio, sob pena de uma multa de seis denários. E se não for requerido, que cada um esteja obrigado a vir no penúltimo domingo do mês, sem convocatória, de boa fé, sem engano nem fraude. Que não somente esteja obrigado a isso por juramento, senão que incorra em pena inclusive se não lhe for ordenado a vir. E se tiver chegado a um lugar onde a sociedade se reúne e entra sem autorização do maceiro ou dos oficiais, que pague a título de multa doze denários bolonheses. A não ser que, em ambos casos, tenha tido um impedimento real, ou a menos que tenha estado enfermo ou fora da cidade ou [em serviço] para a comuna de Bolonha, em cujos casos, e em outros casos também, pode invocar como escusa o juramento de obrigação de serviço. E se ele se escusa enganadoramente, que seja sancionado em 12 denários.

IV Da eleição dos oficiais e do maceiro e das reuniões da sociedade


Estatuímos e ordenamos que a sociedade dos mestres da madeira e do muro está obrigada a ter oito oficiais, assim como dois maceiros, a saber, um para cada ofício da sociedade; e devem ser repartidos equitativamente entre os bairros, e eleitos por listas na assembleia da sociedade de maneira que em cada bairro da cidade existam dois oficiais, a saber um para cada arte. E que os oficiais, com o maceiro, permaneçam seis meses e não mais. E que estejam obrigados a fazer que a sociedade se reúna e se congregue no


segundo domingo do mês sob pena de uma multa de três soldos bolonheses cada vez que transgredirem, a menos que não estejam impedidos por um caso real de força maior. Acrescentamos que o filho de um mestre da sociedade não deve nem pode ser inscrito nas listas eleitorais se não tiver 14 anos no mínimo. E seu pai não está obrigado a introduzi-lo na sociedade antes do dito tempo e o filho não deve ser recebido na sociedade antes do dito tempo. E que ninguém tome um aprendiz que tenha menos de 12 anos, sob pena de uma sanção de 20 soldos e que o contrato feito assim fique sem valor.

V Que não se possa eleger alguém que seja seu filho ou irmão


Estatuímos e ordenamos que não se possa eleger oficial ou maceiro alguém que seja irmão ou filho do votante, e que o voto emitido para este efeito não tenha valor.

VI Que os mestres obedeçam aos oficiais e ao maceiro


Estatuímos e ordenamos que se alguém da sociedade dever a outro mestre certa soma de dinheiro por causa do ofício, ou se um mestre tiver uma discussão com outro por  causa do ofício ou dos ofícios supracitados, que os mestres que tiverem esta discordância entre si estejam obrigados a obedecer aos preceitos que os oficiais dos mestres do muro e da madeira estabeleçam entre ambos, sob pena de uma multa de dez soldos bolonheses.





VII Como e de que maneira os mestres entram na sociedade e quanto devem pagar para sua entrada


Estatuímos e ordenamos que todos os mestres que queiram entrar na sociedade dos mestres do muro e da madeira paguem à dita sociedade dez soldos bolonheses se estes são da cidade ou do condado de Bolonha; se não são da cidade nem do condado de Bolonha, que paguem à sociedade vinte soldos bolonheses. E que os oficiais trabalhem com a consciência a fim de que todos os mestres que não são da sociedade devem entrar nela. E que esta prescrição seja irrevogável, que [ninguém] possa estar isento de nenhum modo nem maneira, salvo se assim decidir pelo menos uma décima parte da sociedade, ou salvo se for o filho de um mestre, o qual pode entrar na supramencionada sociedade sem nenhum pagamento. E se o maceiro ou um oficial apoiar no conselho ou na assembleia da sociedade [...] alguém que quiser que fique isento dos dez ou vinte soldos bolonheses para doá-los à sociedade, que ele seja sancionado em dez soldos bolonheses. E se alguém da sociedade, estando sentado na sociedade ou no conselho, se levantar para dizer de alguém que se lhe deveria isentar dos dez ou vinte soldos bolonheses, que ele seja sancionado em cinco soldos bolonheses. E se um mestre tiver um filho ou mais de um que conheçam as artes dos mestres supracitados, ou que tenha permanecido durante dois anos aprendendo com seu pai uma das ditas artes, então seu pai deve fazê-lo entrar para a sociedade sem nenhuma recepção, pagando à sociedade como se tem dito mais acima, sob pena de uma multa de 20 soldos. E uma vez paga, está obrigado a fazê-lo entrar para a sociedade. E que os oficiais e o maceiro estejam obrigados a recolher todas as somas devidas por aqueles que têm entrado para a sociedade, e os quatro denários para as missas, e as sanções impostas durante seu


tempo [de funções]. E que eles lhes façam prestar juramento na sociedade. E que o maceiro esteja obrigado a receber do mestre que entrar para a sociedade uma boa garantia de que em um prazo de menos de um mês após sua entrada na sociedade, pagará dez soldos se for da cidade ou do condado de Bolonha, como está dito mais acima. E se for de outro distrito, vinte soldos bolonheses. E se o maceiro e os oficiais no recolherem estas somas, que estejam obrigados a pagar à sociedade de seu [dinheiro] e a dar-lhe uma compensação suficiente em dinheiro ou em prendas, para que a sociedade esteja bem garantida, antes de oito dias depois do fim do mês. E que os inquisidores das contas sejam encarregados de controlar tudo tal como está dito mais acima e, se isto não for observado, a condenar segundo o que está contido nos estatutos da sociedade. Acrescentamos que qualquer um que entrar para a sociedade, que pague pela sua entrada 20 soldos bolonheses à sociedade. Isto ordenamos àqueles que em seguida se empenhem em aprender a arte, e que isto valha a partir de hoje, 1254, indicção décima- segunda, oitavo dia de março. Por outra parte, ordenamos que os que não tiveram mestre para aprender a arte, paguem pela sua entrada na sociedade três libras bolonhesas.

VIII    Que nenhum mestre deve prejudicar outro mestre em seu trabalho


Estatuímos e ordenamos que nenhum mestre do muro e da madeira deve prejudicar outro mestre da sociedade de mestres aceitando uma obra por período fixo depois que lhe tenha sido assegurada e formalmente prometida ou que tenha obtido esta obra de algum outro modo ou maneira. Salvo se algum mestre intervier antes que [a obra] lhe tenha sido formalmente prometida e assegurada e aquele lhe pede uma parte, este está obrigado a dar-lhe uma parte se [o outro] a quiser. Mas se já tiver sido feito um pacto para dita obra, não está obrigado a dar-lhe uma parte se não quiser. E quem intervier, que pague a modo de multa três libras bolonhesas cada vez que assim transgredir. E os oficiais devem entregar as multas contidas nos estatutos no prazo de um mês depois de que a [infração] for clara e manifesta a eles, respeitando os estatutos e ordenamentos da comuna de Bolonha. E que as multas e penas ingressem na junta da sociedade e permaneçam nela.

IX   Das contas que o maceiro entregar e do desempenho de seu ofício


Estatuímos e ordenamos que o maceiro da sociedade dos mestres esteja obrigado a prestar contas aos inquisidores das contas no prazo de um mês depois de entregar seu cargo, a não ser que tenha licença dos novos oficiais e do conselho da sociedade, ou esteja impedido por um caso real de força maior. E que o dito maceiro esteja obrigado a prestar contas de todos os seus ingressos e gastos tidos e feitos durantes seu tempo [de funções]. E que todos os mestres que tenham entrado para a sociedade durante seu tempo sejam anotados em um caderno especial a fim de que se saiba se têm pago ou não. E ordenamos que todas as escrituras devem ficar em poder do maceiro. E que todas as escrituras referidas à sociedade e tudo o que tenha relação com os bens da sociedade, que o maceiro esteja obrigado a entregá-las e transmiti-las por escrito na assembleia da sociedade ao maceiro seguinte, de maneira que os fundos da sociedade não possam de nenhuma maneira ser objeto de fraude. E se o maceiro omitir fraudulentamente o supramencionado e não observar o anterior, que seja sancionado em 20 soldos bolonheses. E se retiver em seu poder fraudulentamente fundos da sociedade, que


restitua o dobro à sociedade. Assim mesmo, que o antigo maceiro, depois de sua saída do cargo, esteja obrigado a dar e ceder ao novo maceiro todos os fundos da sociedade, tanto as escrituras referidas à sociedade como o tesouro desta mesma sociedade no primeiro ou segundo domingo do mês. E o novo maceiro não deve prolongar o prazo para o antigo maceiro para mais de 15 dias. E que esta prescrição seja irrevogável. E se for transgredido por algum dos maceiros, que seja sancionado em 20 soldos bolonheses pagos à sociedade.

X   Da eleição dos inquisidores das contas


Estatuímos e ordenamos que os inquisidores das contas sejam eleitos ao mesmo tempo em que os oficiais, e que sejam dois, a saber, um para cada [ofício]. Que estes inquisidores estejam obrigados a examinar com diligência o maceiro e os oficiais que estarão [em função] ao mesmo tempo em que o maceiro. E se descobrirem que o  maceiro e os oficiais têm delinquido em seu cargo e que têm cometido fraude ou dolo, que os condenem à restituição do dobro dos fundos descobertos em seu poder e, além disso, que os condene a restituir o equivalente da retribuição que têm recebido. E que estejam obrigados a agir assim e a examinar e condenar ou absolver no prazo de um mês depois do encerramento da função do maceiro e dos oficiais. E sendo que assim condenem ou absolvam, que estejam obrigados a fazê-lo por escrito na assembleia da sociedade. E se os inquisidores transgredirem e não observarem estas [prescrições], que cada um deles seja sancionado em dez soldos e que sejam expulsos de seu cargo, a não ser por um verdadeiro caso de força maior ou se tiverem a licença dos oficiais e do conselho da sociedade.

XI   Da transcrição das reformas do conselho


A fim de que nenhuma discórdia se desenvolva jamais entre os sócios, ordenamos que todas as reformas da sociedade dos mestres do muro e da madeira ou do conselho de dita sociedade estejam transcritas em um caderno especial, e que o maceiro e os oficiais estejam obrigados a fazê-las cumprir sob pena de uma multa de cinco soldos bolonheses.

XII   Que o maceiro e os oficiais estejam obrigados a prestar contas de seu cargo uma só vez e nenhuma mais


Estatuímos e ordenamos que o maceiro e os oficiais da sociedade estejam obrigados a prestar contas uma só vez de todos os ingressos e gastos. E depois de que tenham sido examinados uma vez acerca das contas a prestar, que não estejam obrigados a mais prestações de contas, a menos que forem denunciados ou acusados de ter cometido dolo ou fraude, ou de ter-se apoderado injustamente do tesouro da comuna e da sociedade, em cujo caso, que seja escutado qualquer que desejar lhes escutar. E aqueles que têm sido examinados uma vez não devem ser examinados novamente. E que esta prescrição se aplique tanto para o passado quanto para o futuro.


XIII    Ordens a dar pelos oficiais e pelo maceiro


Estatuímos e ordenamos que todos os preceitos que sejam estabelecidos pelos oficiais e pelo maceiro ou um deles acerca do tesouro ou de outras coisas relativas à arte que um mestre deve dar ou fazer a outro mestre, que estas ordens sejam dadas e ordenadas em 10 dias. E se o mestre a quem se tenha dado uma ordem não a cumprir em 10 dias, que os oficiais e o maceiro estejam então obrigados nos cinco dias após estes dez dias a dar ao credor uma hipoteca sobre os bens de seu devedor, a fim de que seja pago completamente o que lhe corresponde e seus gastos. E que, além disso, seja sancionado em cinco soldos bolonheses, se os oficiais o julgarem oportuno. E que isto seja irrevogável. E o que deve dinheiro a outro mestre ou outra pessoa, se tiver sido convocado ou citado pelos oficiais ou pelo núncio da sociedade e não tiver comparecido diante dos oficiais ou do maceiro, que seja sancionado cada vez em doze soldos bolonheses se for encontrado e, se não for achado ao ser citado uma segunda vez, que seja sancionado na mesma soma.

XIV   Se um mestre toma outro para trabalhar


Estatuímos e ordenamos que, se um mestre tem uma obra por período fixado ou pago ou de qualquer outro modo ou maneira e quer ter consigo outro mestre para fazer esta obra e trabalhar com ele, o mestre que contratou o outro está obrigado a satisfazer seu preço, a menos que seja um oficial ou o maceiro da sociedade quem puser este  mestre ao trabalho para a comuna de Bolonha. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado à vontade dos oficiais.

XV   Quanto devem ter por retribuição os mestres oficiais e o maceiro


Estatuímos e ordenamos que os oficiais e o maceiro que estarão [em função] em seguida devem ter cada um cinco soldos bolonheses por retribuição em seis meses. E que os ditos oficiais e o maceiro estejam obrigados a recolher todas as multas, sanções e contribuições antes de deixarem seu cargo, a saber, cada um por seu bairro. E se não os tiverem recolhidos antes do tempo prescrito, que sejam obrigados a pagar à sociedade de seu próprio dinheiro uma soma igual ao que não tiverem recolhido. E que os oficiais e o maceiro estejam afastados de seus cargos durante um ano depois de deixá-los. E prescrevemos que os oficiais não recebam soldo nem dinheiro, senão que o maceiro receba integralmente a totalidade dos soldos e do dinheiro e, que antes de sua saída [do cargo], pague aos oficiais sua retribuição com os fundos dos membros da sociedade.

XVI   Dos círios que são necessários colocar por [conta da] sociedade dos mestres aos defuntos


Estatuímos e ordenamos que sejam comprados dois círios por conta dos membros da sociedade, os quais deverão ficar na presença do maceiro da sociedade. E que sejam de dezesseis libras de cera no total, e deverão ser colocados junto ao corpo quando algum dos mestres faleça.


XVII    Que todos os mestres estejam obrigados a acudir junto a um associado defunto quando forem convocados


Estatuímos e ordenamos que se algum de nossos associados for chamado ou citado pelo núncio, ou por outro em seu lugar, a fim de acudir a um associado seu defunto e não se apresentar, que pague a título de multa doze denários bolonheses, a menos que tenha uma autorização ou um real impedimento. E o corpo deve ser levado por homens de dita sociedade. E o núncio da sociedade deve obter da assembleia da sociedade 18 denários bolonheses pela morte dos haveres da sociedade. E se o núncio não for nem acudir à reunião dos associados, que pague a título de multa 18 denários à sociedade. E que os oficiais e o maceiro estejam obrigados a recolher estas somas.

XVIII    Que os oficiais estejam obrigados a assistir os associados enfermos e a lhes dar conselho


Estatuímos e ordenamos que se um de nossos associados estiver enfermo que os oficiais tenham o dever de visitá-los se se inteirarem disso, e de lhes dar conselho e audiência. E se falecer e não tiver como ser enterrado, que a sociedade o faça enterrar honrosamente às suas expensas. E que o maceiro possa gastar até a soma de 10 soldos bolonheses e não mais.

XIX    Que os núncios se desloquem à custa daqueles que tenham sido sancionados e que se negam a dar fiança


Estatuímos e ordenamos que os oficiais e os maceiros que estiverem [em função] no futuro, se fixarem fianças a algum mestre por contribuições ou sanções ou outros motivos, percebam dele todos os gastos que fizerem ao [recorrer] aos núncios da comuna de Bolonha ou a outro modo para recuperá-las, afim de que a sociedade não tenha nenhum gasto. E os oficiais ou o maceiro que fizerem os gastos por isso, que os façam por sua conta, a não ser que façam este gasto segundo a vontade da sociedade ou de seu conselho. E se aquele que deve abonar o dinheiro para isso não deixar que o núncio da sociedade o empenhe, que seja sancionado em três soldos bolonheses cada vez que transgredir [esta regra].

XX   Dos que se comprometem por contrato


Estatuímos e ordenamos que se alguém se comprometer com outro por contrato sem que tenha permanecido nem cumprido seu tempo ao lado de seu mestre ou patrão, que não seja recebido antes do término por nenhum mestre da sociedade, e que nenhuma ajuda nem assistência lhe seja dada por nenhum mestre que tenha se inteirado disso ou a quem lhe tenha sido denunciado. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em 20 soldos bolonheses.

XXI   Que ninguém receba a bênção mais que uma só vez


Estatuímos e ordenamos que ninguém da sociedade receba a bênção mais que uma só vez. E quem o transgredir, que seja sancionado cada vez em seis denários bolonheses.


XXII    Que ninguém receba a bênção de sua própria autoridade


Estatuímos e ordenamos que se alguém receber a bênção de sua própria autoridade, seja penalizado em seis denários bolonheses cada vez que o transgredir.

XXIII    Que ninguém deve estar além da esquina do altar


Estatuímos e ordenamos que nenhuma pessoa deva estar junto à esquina do altar, voltado em direção à igreja, sob pena de uma multa de três denários cada vez que o transgredir.

XXIV    Da partilha equitativa das tarefas entre os mestres


Estatuímos e ordenamos que se um oficial ordenar a um mestre de seu bairro a entregar um trabalho para o município, tratando-o equitativamente com relação aos outros  mestres, e este não o acode, que seja sancionado em 10 soldos bolonheses. E nenhum mestre deve eleger um mestre qualquer do muro e da madeira para trabalho algum da comuna de Bolonha ou outro lugar; e quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em 20 soldos bolonheses. E os oficiais que estiverem no futuro, ou seja, os oficiais que estiverem presentes na cidade quando se fizer a eleição, devem fazer dita eleição repartindo equitativamente os mestres por bairro. E se um oficial não tratar equitativamente um mestre, cometendo dolo ou fraude, ou se agir por ódio que tiver com ele, e sendo isto claro e manifesto, que seja sancionado em 20 soldos bolonheses, salvo se for convocado pelo podestade, ou por algum de seu círculo, com o fim de ocupar-se de uma obra para o município de Bolonha, e poderá associar-se a ela à sua vontade, sem pena nem multa.

XXV   Que não se deve levantar em uma reunião de mestres para dar seu parecer mais que sobre o que for proposto pelos oficiais ou pelo maceiro


Estatuímos e ordenamos que ninguém da sociedade deva se levantar para falar e dar sua opinião em uma reunião mais que sobre o que for proposto pelos oficiais ou pelo maceiro. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em 12 soldos bolonheses, e que pague sem restrição esta soma ou que se lhe empenhe.

XXVI    Que não se deve fazer ruído nem gritar quando alguém falar ou fazer uma proposição na assembleia da sociedade dos supracitados mestres


Estatuímos e ordenamos que se alguém fizer ruído em uma reunião depois que um oficial, ou oficiais, ou o maceiro, ou qualquer outro tiver feito uma proposição ou tiver tomado a palavra entre os membros da sociedade, se transgredir [esta regra], que seja sancionado em três denários e que os pague sem restrição. E que os oficiais e o maceiro assim ajam por juramento. E se não os perceberem, que paguem o equivalente à sociedade.


XXVII    Da retribuição do núncio


Estatuímos e ordenamos que a sociedade tenha um núncio, ou seja [um por dois bairros e] outro para os [outros] dois bairros; e devem ter, para cada um deles, 30 soldos bolonheses anuais. E devem levar os círios se alguém falecer e ir buscá-los no domicílio do maceiro. E [eles devem receber] um denário para cada comissão da parte daqueles que os encarregarem.

XXVIII    Como e de que maneira os membros da sociedade devem se reunir por um membro falecido e em quais lugares


Estatuímos e ordenamos que se o defunto for do bairro da porta de Steri, os membros da sociedade se reunirão em São Gervásio. Se o defunto for do bairro de São Próculo, que os membros se reúnam em São Ambrósio. Por outro lado, se o defunto for do bairro da porta de Rávena, que os membros se reúnam em São Estevão. E se o defunto for do bairro da porta de São Pedro, que os membros se reúnam na igreja de São Pedro. E que os núncios estejam obrigados a dizer de que bairro é o defunto quando convocarem os membros da sociedade. E se não o disserem, que sejam penalizados em dois soldos bolonheses cada vez que transgredirem [esta regra].

XXIX    Que cada membro da sociedade esteja obrigado a pagar a cada ano quatro [denários] para as missas


Estatuímos e ordenamos que cada membro da sociedade esteja obrigado a pagar a cada ano quatro denários para as missas, e que os oficiais sejam os encarregados de recolher estas somas.

XXX    Que ninguém possa tomar um aprendiz por um tempo inferior a quatro anos


Estatuímos e ordenamos que ninguém da sociedade deva, de modo algum nem maneira, tomar nem amparar um aprendiz por um tempo inferior a quatro anos, e isso [com a condição de lhe dar] um par de pães a cada [semana] e um par de capões4 na festa de Natal e vinte soldos bolonheses em cinco anos. E quem transgredir o prazo de quatro [anos], que seja penalizado em três libras bolonhesas. E quem transgredir os vinte soldos bolonheses e os pães e os capões, que seja sancionado em vinte soldos bolonheses  cada vez que transgredir cada um [destes itens]. E prescrevemos que, a partir de hoje e de agora em diante, todas as atas sejam feitas pelo escrivão da sociedade na presença de, pelo menos, dois oficiais, e devem ser transcritas em um caderno que estará sempre em poder do maceiro. E quem transgredir [esta regra], que pague a título de multa três libras bolonhesas. E que isto seja irrevogável.






4   Capão: frango capado e alimentado de forma especial para que engorde rapidamente e seja abatido para alimentação (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).


XXXI    Que cada um esteja obrigado a mostrar aos oficiais o contrato de seu aprendiz em [prazo de] um ano a partir do momento que o tenha


Estatuímos e ordenamos que cada [membro] da sociedade esteja obrigado no [prazo] de um ano a partir do momento em que tenha tomado um aprendiz, a mostrar a ata aos oficiais da sociedade. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em cinco soldos bolonheses cada vez que transgredir.

XXXII    Que ninguém possa tomar alguém que não seja da cidade ou do condado de Bolonha ou [que seja] um doméstico de alguém


Estatuímos e ordenamos que ninguém da sociedade possa amparar nem deve tomar como aprendiz alguém que seja um criado ou [que seja] de outro território. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em 100 soldos bolonheses cada vez que transgredir [esta regra]. E prescrevemos que se alguém da sociedade tomar uma criada por mulher, pague a título de multa 10 libras bolonhesas e que seja excluído da sociedade. E que isto seja irrevogável.

XXXIII    Que os mestres estejam obrigados a fazer o ingresso dos aprendizes na sociedade ao final de dois anos


Estatuímos e ordenamos que cada mestre esteja obrigado a fazer o ingresso na sociedade de seu aprendiz, depois que este tenha permanecido ao seu lado durante dois anos, e a receber deste aprendiz uma boa e idônea garantia com relação à sua entrada na sociedade. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em 20 soldos bolonheses cada vez que a transgrida, a menos que não receba dita [garantia].

XXXIV    Que ninguém da sociedade deve trabalhar para alguém deve alguma coisa a um mestre


Estatuímos e ordenamos que ninguém da sociedade deva trabalhar por pagamento ou por período para alguém que deve dar ou pagar dinheiro a um mestre por causa de sua arte, tão logo o tenha sabido que a questão lhe tenha sido denunciada por esse mestre ou pelos oficiais da sociedade. E quem transgredir [esta regra], que seja penalizado em 20 soldos bolonheses por mestre cada vez que a transgrida, e que pague aos mestres [as indenizações] por seu trabalho. E que os oficiais estejam obrigados a impor as multas dentro dos oitos dias posteriores a que a coisa se lhes tenha feito clara e manifesta, e a pagar aos mestres [as indenizações].

XXXV    Que a sociedade dure 10 anos


Do mesmo modo estatuímos e ordenamos que a sociedade deva durar nos próximos dez anos, no total, ou mais tempo segundo decida a sociedade ou a maioria por escrutínio.


XXXVI    Que não se queixe dos oficiais diante do podestade ou de seu tribunal


Assim mesmo estatuímos e ordenamos que um mestre da sociedade não possa nem deva de nenhum modo nem maneira comparecer diante do podestade ou de seu tribunal para se queixar dos oficiais ou de um deles. E quem transgredir [esta regra], que pague a título de multa três libras bolonhesas cada vez que a transgrida. E que isto seja irrevogável.

XXXVII    Publicação dos estatutos


Estes estatutos têm sido lidos e tornados públicos na assembleia da sociedade reunida pelos núncios da maneira acostumada no cemitério da Igreja de São Próculo, no ano do Senhor de 1248, indicção sexta, dia oitavo de agosto, no tempo do senhor Bonifácio di Cario, podestade de Bolonha.

XXXVIII     Que o maceiro e os oficiais estejam obrigados a recolher as contribuições


Estatuímos e ordenamos que o maceiro dos mestres da madeira tenha a obrigação de recolher todas as contribuições impostas e as sanções pronunciadas por [ele], e as multas [imposta] durante [seu] tempo. E se não as recolher, que pague de seu próprio dinheiro, a título de multa, o dobro. E que o escrivão tenha a obrigação de recolher com o maceiro ditas contribuições, sanções e multas. E o núncio da sociedade deve ir com o maceiro, e se não forem, que sejam sancionados cada um em 5 soldos bolonheses cada vez que transgredirem [esta regra].

XXXIX    Que o núncio da sociedade deve permanecer em sua função durante um ano


Estatuímos e ordenamos que o núncio da sociedade deva permanecer [em sua função] um ano, e que tenha por retribuição 40 soldos bolonheses.

XL Do escrivão da sociedade


Estatuímos e ordenamos que os oficiais e o maceiro devam tomar um bom escrivão para a sociedade, e que deve permanecer [em sua função] um ano; deve inscrever os ingressos do maceiro e seus gastos e fazer todas as escrituras, alterações e estatutos da sociedade, e deve ter por retribuição 40 soldos bolonheses.

XLI Que se devem fazer dois livros de nomes dos mestres da madeira


Estatuímos e ordenamos que se devam fazer dois livros de nomes dos mestres da madeira, e o que estiver [contido] em um caderno, seja o mesmo no outro. E que o maceiro deve guardar um deles e outro mestre deve guardar o outro. E se um mestre morrer, que seja apagado destes livros.


XLII Das contas a prestar pelos oficiais e pelo maceiro


Estatuímos e ordenamos que os oficiais e o maceiro devam prestar contas no penúltimo domingo do mês sob o altar de São Pedro.

XLIII Da confecção de um quadro


Estatuímos e ordenamos que os oficiais que estarão [em funções] no futuro estejam obrigados cada um de fazer realizar um quadro dos nomes dos mestres da madeira segundo o que se contenha na matrícula. E se os oficiais enviarem alguém a serviço da comuna de Bolonha, ele deverá ir a seu turno com o fim de que ninguém fique prejudicado, sob pena de uma multa de 5 soldos para cada vez que transgredir [esta regra].

XLIV Que ninguém deve caluniar a sociedade


Estatuímos e ordenamos que, se alguém da sociedade disser vilanias ou injúrias a respeito da sociedade, que seja sancionado em 20 soldos bolonheses cada vez. E que isto seja irrevogável. E que os oficiais estejam encarregados de recolhê-las. E se não as recolherem, que paguem o dobro de seu próprio dinheiro.

XLV Que os oficiais devem cessar


Estatuímos e ordenamos que os oficiais que estarão [em funções] no futuro devem abandoná-las, finalizando seu mandato.

Adições aos estatutos dos mestres.

XLVI Que as sociedades devem se reunir à parte


Estatuímos e ordenamos que a sociedade dos mestres da madeira deva se reunir à parte onde decidam os oficiais desta sociedade, e que a sociedade dos mestres do muro deva se reunir à parte onde decidam os oficiais dessa sociedade, e isso de tal forma que não possam se reunir conjuntamente. Isto, salvo se os oficiais das sociedades decidirem reuni-las conjuntamente; então, elas poderão se reunir. E os oficiais das sociedades devem estar juntos para prestar contas a todos os mestres do muro e da madeira que desejarem solicitá-las duas vezes por mês, a saber, dois domingos.

XLVII Da retribuição dos redatores dos estatutos


E, além disso, estatuímos e ordenamos que os quatro comissionados para os estatutos que estarão [em funções] no futuro tenham, cada um, dois soldos bolonheses por retribuição.


XLVIII Da confecção de um círio


E, além disso, estatuímos que se faça a cargo da sociedade um círio de uma libra que sempre deverá arder nas missas da sociedade.

XLIX Dos círios a dar a cada ano na Igreja de São Pedro


E, além disso, estatuímos e ordenamos que, a cargo da sociedade, se deem a cada ano, à Igreja de São Pedro, catedral da Bolonha, na festa de São Pedro, no mês de junho, 4 círios de uma libra. E que os oficiais que estarão [em funções] no futuro estejam obrigados a cumpri-lo sob pena de uma multa de 5 soldos bolonheses para cada um deles.

L Que um mestre que outorgue licença a seu aprendiz antes do término não possa receber outro


Estatuímos e [ordenamos] que se um mestre da sociedade dos maçons5 outorgar licença a um aprendiz seu antes do término de cinco anos, não poderá ter outro aprendiz até que atinja o prazo de 5 anos sob pena e multa de 40 soldos bolonheses.

LI Da compra de um manto pela sociedade


Estatuímos e ordenamos que o maceiro e os oficiais que estiverem em [funções] no novo ano, estejam obrigados a comprar um bom manto para a sociedade a cargo dos fundos da sociedade. Que o manto seja usado sobre os [membros] da sociedade que morrerem assim como sobre os [membros] da família daqueles que são da sociedade para quem o manto foi comprado, mas não sobre alguém que não seja da sociedade.

LII Da retribuição do conselho de anciãos


Estatuímos e ordenamos que o conciliário que for dado aos anciãos da sociedade dos mestres do muro seja eleito pelos oficiais desta sociedade. E que tenha como retribuição 5 soldos bolonheses a cargo dos fundos da sociedade dos que dispõem os oficiais, se durar e permanecer [em funções] durante seis meses. E se permanecerem três meses, que perceba somente dois soldos e seis moedas bolonhesas.

LIII Que o maceiro e os oficiais estejam obrigados a prestar contas


Estatuímos que os oficiais e o maceiro da sociedade que estarão [em funções] no futuro, estejam obrigados a prestar contas a cada [membro] da sociedade dos maçons, a toda pessoa alheia à sociedade que o demande com relação à arte dos maçons.

LIV Que não se deve fazer ruído em uma assembleia



5   N. do T. em L. Portuguesa: É difícil saber se o termo usado no documento original é realmente a palavra “maçom”, justamente pela sua não acessibilidade. Em todo o caso, nas traduções que circulam pela Internet em língua espanhola, esta é a palavra utilizada e acredito que não desconfigura o teor histórico do documento, se o leitor puder entender por “maçom” o “mestre do muro e da madeira”.


E, além disso, estatuímos e ordenamos que não se deve fazer ruído nem rir em uma assembleia da sociedade e quem o transgredir, que seja sancionado em 20 soldos bolonheses.

LV Que a sociedade deve se reunir na Igreja de São Pedro


E, além disso, estatuímos e ordenamos que a sociedade deve se reunir para todos os seus assuntos na Igreja de São Pedro ou sobre o palácio do senhor bispo. E que os oficiais da sociedade deem à Igreja de São Pedro 3 círios de uma libra. E que a missa da sociedade seja celebrada nessa Igreja.

LVI Que deve haver vários núncios quando alguém da sociedade falecer


E, além disso, estatuímos e ordenamos que quando alguém da sociedade falecer, os oficiais da sociedade podem ter um ou mais núncios para fazer congregar os membros da sociedade junto ao corpo do defunto, e compensá-lo ou compensá-los como lhes pareça com encargo aos fundos da sociedade.

LVII Daqueles que não entregarem o dinheiro das missas


E, além disso, estatuímos e ordenamos que se alguém não pagar os 4 denários bolonheses pelas missas no prazo fixado pelos oficiais, que entregue o dobro ao núncio, que irá ao seu domicílio para recolher esta soma.

LVIII Das cópias dos estatutos da sociedade


E, além disso, estatuímos e ordenamos que todos os estatutos da sociedade sejam copiados de novo e que ali onde [se diz] os oficiais ‘do muro e da madeira’, diga só ‘do muro’, de modo que os estatutos da sociedade do muro sejam distintos dos [da sociedade] da madeira. E que isto seja irrevogável.

LIX Da fiança que deve dar ao núncio da sociedade


E, além disso, estatuímos e ordenamos que se [um membro] da sociedade não der ao núncio da sociedade uma fiança quando esta se lhe for solicitada por parte dos oficiais, ninguém deve trabalhar com ele, sob pena de uma multa de 20 soldos bolonheses cada vez que trabalhar com ele, a menos que se reconcilie ao mandado dos oficiais.

LX Da retribuição do escrivão da sociedade


E, além disso, estatuímos e ordenamos que o escrivão da sociedade tenha por retribuição, ao fim de seis meses, uma retribuição de 20 soldos bolonheses e não mais.

LXI Da retribuição dos inquisidores de contas


E, além disso, estatuímos e ordenamos que os inquisidores de contas devam ter por retribuição 5 soldos bolonheses e não mais.

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Poema Regius




 O Manuscrito Halliwell ou Poema Regius




O Poema Régio (Regius Poem), também conhecido como Manuscrito Halliwell, é o mais antigo documento maçônico de que se tem conhecimento, embora esta posição seja contestada por alguns autores em favor da Carta de Bolonha.

O texto original foi gravado em inglês arcaico, com letras góticas, sobre pele de carneiro. É composto por 64 páginas, contendo 794 versos. A data de sua produção, segundo especialistas, estima-se 
como sendo situada na década de 1390, apesar de que, supõe-se que tenha sido copiado de um documento mais antigo. O autor é desconhecido e o local de origem, segundo o historiador maçônico Wilhem Begemann, é a cidade inglesa de Worcester (fundada em 407 DC).

Desde a sua redação até ser descoberto como documento maçônico, o trajeto percorrido pelo manuscrito é um tanto incerto.

Aparentemente, ele foi propriedade de vários antiquários e colecionadores, tendo sido adquirido pelo Rei Carlos II, passando a pertencer à biblioteca real (Royal Library), a qual, em 1757, foi doada pelo Rei George II ao Museu Britânico. Atualmente, o documento original está guardado na Biblioteca Britânica (British Library) e faz parte da Coleção Real de Manuscritos (Royal Manuscript Collection). Para aqueles que gostariam de lê-lo em inglês é possível adquirir uma cópia por download no site da livraria virtual Amazon.com.

Do que trata o documento?


Durante muito tempo, o Poema Régio foi descrito como um poema sobre obrigações morais, até que, em 1840, um antiquário inglês de nome James Orchard Halliwell-Phillips (que não era maçom) o estudou e

descobriu sua essência: um documento relativo à maçonaria operativa.

O documento é composto de várias partes que contêm lendas, episódios bíblicos, descrições de artes e normas. A sua leitura faz-nos concluir que o seu objectivo principal é transmitir as normas, regulamentos ou estatutos do ofício de franco-maçom e da corporação. O texto cita o Rei Athelstan (924-939) como o estimulador da criação dessas normas, referindo que ele convocou um encontro de maçons para que fossem estudadas e definidas as leis, regras e preços do ofício. Nele, a Maçonaria é mencionada como Geometria.

Uma interpretação adjacente sobre o texto, feita por alguns estudiosos, nele como tema recorrente ou motivo central a apresentação do Oficio de Construtor como uma atividade nobre, ligada à realeza e à aristocracia. Por isso, seria atribuído à Maçonaria o título de Arte Real.

Nome


No original, o documento não tem um nome específico, pelo que acabou tendo mais de um: Manuscrito de Halliwell, como referência ao seu descobridor e/ou intérprete, James Orchard Halliwell-Phillips; e Poema Régio ou Manuscrito Régio, pelo facto de ter pertencido à coleção de livros e manuscritos da Biblioteca Real Inglesa.

Partes


É composto de 9 partes:

I.   História lendária do Ofício de Construtor, cujas origens estariam na Geometria de Euclides ( 3 ); trazido à Inglaterra sob o rei Athelstan (925-940), Este teria convocado uma Assembléia de Mestres do Ofício, senhores e notáveis, com o objetivo de elaborar os estatutos da Corporação;

II.   Os estatutos, divididos em quinze artigos;

III.   Quinze pontos complementares aos estatutos;

IV.    Outras disposições referentes ao Ofício. Decisão de se reunirem a intervalos regulares. Em Grandes Assembleias dos pedreiros da construção; veja nota ( 1 )

V.   Lenda do martírio dos Quatuor Coronati, santos patronos do ofício; ( 4 )

VI.     Narrativa  do  episódio  bíblico  da  Torre  de  Babel,  segundo  Gênesis  11,1-9  e  Flávio  Josefo  (  5  )- Antiguidades Judaicas 1,4.

VII.    Exposição sobre as Sete Artes Liberais ( 6 ), definidas e instituídas por Euclides para proporcionar aos futuros construtores uma instrução completa;

VIII.    Exortação à assiduidade à missa e à estrita observância do culto religioso católico;

IX.   Um tratado de boas maneiras a serem observadas em sociedade.

Algumas considerações sobre o Manuscrito



O que mais caracteriza o Manuscrito um leitmotiv que perpassa por todo o poema é a apresentação do Ofício de Construtor como uma atividade nobre, ligada à realeza e à aristocracia. Por isso se atribui à Maçonaria o titulo de Arte Real.

Segundo o pesquisador maçônico francês contemporâneo Patrick Négrier, vários temas apresentados no "Regius" com essa intenção se inspiram, entre outras fontes, na História dos Reis da Bretanha de Geo"roy de Mommouth que faleceu em 1155, cujo propósito era justificar, através de antecedentes nobiliárquicos inatacáveis. Todos conhecidos, pela legitimidade histórica e política dos Bretões.

Essa preocupação com o enobrecimento da Arquitetura se acha presente nos primeiros versos do poema, como veremos a seguir:

"Hic incipiunt constituciones artis Gemetriae secundum Eucyldem" ("Aqui principiam as Constituições da Arte da Geometria, segundo Euclides")

Aquele que deseja boa leitura e que busca conhecimento pode encontrar num velho livro escrito Sobre grandes senhores e gentis damas Que tinham muitos filhos mui sábios.

Mas não dispunham de renda para mantê-los. Nem na cidade, nem nos campos ou nos bosques. Reuniram-se em conselho, por causa deles, Para decidir, em benefício de seus filhos, Como eles poderiam melhor ganhar a vida sem grande desconforto, cuidado ou angústia, Sem contar a multidão de filhos Que viriam depois deles virarem cinzas.

Mandaram procurar grandes clérigos Que para isso lhes ensinassem bons ofícios: "Nós lhes rogamos, por amor a Nosso Senhor, Que nossos filhos façam bons trabalhos.

De forma a bem poderem ganhar a vida Com facilidade, e também com toda a honestidade e segurança".

Nessa época, graças à boa geometria, Este honesto ofício da boa maçonaria Foi organizada, elaborada em seu método E concebido pelos clérigos reunidos.

Em virtude das súplicas dos conceberam a geometria, Dando-lhe o nome de maçonaria, Para fazer o mais honesto dos ofícios.

Esses filhos dos senhores foram ao clérigo Para aprender o ofício da geometria No qual ele se mostrou pleno de cuidado.

Por causa da súplica dos pais, bem como das mães, Ele os introduziu nesse ofício honesto. Aquele que melhor aprendia e se mostrava honesto Também suplantava os companheiros em habilidade.

Caso nesse ofício ele se superasse, Teria mais direito à honra do que o derradeiro. O nome desse grande clérigo era Euclides.
Seu nome se difundiu amplamente. Além disso, esse grande clérigo ordenou ainda Que aquele que estivesse num grau mais elevado Deveria instruir o que menos soubesse Para o aperfeiçoar nesse honesto ofício; Assim devem eles se instruir mutuamente E se amarem juntos como irmã e irmão.

Além disso, ordenou ele ainda Que o mais adiantado fosse chamado mestre; Para que ele fosse o mais honrado, Deveria ele assim ser chamado. Todavia, um maçom jamais deveria querer chamar um outro No ofício, diante de todos os demais, De servo ou servidor, mas sim de "meu caro irmão".

Mesmo não sendo ele tão perfeito como um outro, Cada um por amor deveria chamar o outro de companheiro, Já que são nascidos de nobre estirpe.

O ofício da maçonaria iniciou-se primeiro Quando o clérigo Euclides, em sua sabedoria, instituiu Esse ofício da geometria na terra do Egito.

No Egito com vigor ministrou seus ensinamentos Difundidos em várias terras, por toda parte.

Já nesses versos iniciais do "Regius" afloram numerosos problemas a desafiar a argúcia do historiador. Só podemos abordar, de maneira bastante superficial, três das questões mais importantes:

a- o background sócio-econômico do texto; b- Euclides como pai da Maçonaria; c- as origens egípcias da Arte Real. Do qual não trataremos aqui

a)    Os elementos que constituem a base sócio-econômico da situação podem ser delineados pelos versos iniciais do poema. Descrevem uma situação de crise econômico-social em que a Arquitetura teria se desenvolvido para proporcionar meios de subsistência a um excedente populacional.

Para Patrick Négrier trata-se de um reflexo da crise européia do fim do séc. XIV e início do séc. XV ligada à Guerra dos Cem Anos e à Peste Negra, a qual teria provocado o fechamento dos grandes canteiros de obras de catedrais e o desemprego de muitos trabalhadores do setor.

Nós pelo contrário, veríamos nesses versos um reflexo da situação sócio-econômico dos séculos XI e XII em que o progresso das técnicas agrícolas e a exploração de novas terras acarretaram o crescimento demográfico e uma corrida às cidades dos excedentes da população rural em busca de colocação nos canteiros de obras.

Esse quadro social que nascer a Maçonaria Operativa responsável pela construção das grandes catedrais está admiravelmente descrito nas linhas abaixo extraídas do admirável trabalho do historiador e arquiteto Roland Bechmann Les Racines des Cathédrales:

A explosão demográfica, conseqüência de uma melhoria indiscutível da condição rural, ligada ao mesmo tempo a uma cessação das invasões e dos conflitos mais danosos aos camponeses, a um período climático favorável e a um progresso das práticas rurais, colocava problemas.

O desbravamento das novas terras, que de resto se defrontou rapidamente com fatores limitadores - terras muito difíceis de se trabalhar e insuficientemente férteis e medidas de defesa do capital florestal - não era mais suficiente. O excesso das populações dos campos deveria, portanto encontrar outras saídas.

Para fazer frente à superpopulação, ao desemprego e à miséria que são os seus corolários, as soluções ou as diversões a que em diferentes épocas da história se buscou recurso foram freqüentemente a guerra de conquista, o trabalho forçado ou as frentes de trabalho: podemos citar de forma notadamente desordenada: os templos e os grandes trabalhos dos Romanos e dos Incas, as grandes invasões, as guerras napoleônicas, as oficinas nacionais de 1848, os canteiros de obras e as guerras coloniais do século XIX, os trabalhos de saneamento dos Pântanos Pontinos e as guerras coloniais sob o regime fascista, as auto- estradas alemãs e a guerra de expansão pelo Labensraum dos nazistas...

E nessas cidades que às vezes dobravam sua população em menos de cem anos, a construção de habitações, o artesanato e o comércio eram ativos.

Mas possivelmente isso não teria sido suficiente para todos esses trabalhadores em busca de empregos se não tivessem sido abertos esses grandes canteiros públicos que foram as catedrais...

O desenvolvimento das cidades e o impulso das trocas intimamente ligado ao mesmo criaram para os trabalhadores das construções novos mercados.. Esses trabalhadores, nas grandes cidades, organizavam- se pouco a pouco em agrupamento de defesa de seus interesses, privilégios e procedimentos as corporações - e em associações de solidariedade trabalhadora mais ou menos secreta, dando origem aos francos-maçons e às associações de companheiros.

b)    Euclides coo pai da Maçonaria Euclides, o pai da Geometria, é aqui apresentado, travestido de clérigo cristão, como o pai da Maçonaria Operativa.

Na medida em que a Geometria era considerada uma das Sete Artes Liberais, disciplinas vistas como dignas de serem estudadas por nobres, ao passo que o ofício do construtor era estigmatizado como um viril trabalho próprio das classes tidas por inferiores, trata-se de um artifício literário destinado a enobrecer a profissão de arquiteto.

O fato de Euclides ter vivido em Alexandria, por sua vez, nos remete ao tema das origens egípcias da Arquitetura

Dos textos, a seguir inferem-se princípios e tradições presentes na Maçonaria Moderna, alguns como Landmarks. Por sua importância para nós Filosóficos, tão ávidos de conhecimentos do período Operativo,

vejamos os Versos 57 a 86 do Poema, que se referem aos estatutos formados por 15 artigos e mais os 15 pontos complementares a esses estatutos, pertinentes à boa geometria.

1° Seja o Mestre prestimoso, leal e verdadeiro. Mantenha-se com a retidão de um juiz. Pague aos seus obreiros o justo e conforme as exigências da manutenção. Não ocupe nenhum obreiro senão no que ele possa fazer e ser útil. Jamais o utilize em seu benefício próprio. Não aceite suborno de ninguém e ainda menos de patrão ou de companheiro.


Todo Mestre deve comparecer a Assembléia Geral, desde que avisado com razoável antecedência, salvo por motivo escusável, por doença impeditiva ou por falsa, ou errada informação.

3° O Mestre não deve admitir aprendiz não disposto a preparar-se durante sete anos, a fim de bem aprender o ofício e tornar-se hábil.

4° O Mestre não deve admitir aprendiz sujeito à servidão, para que o seu senhor não venha a reclamá-lo quando quiser. Deve o Mestre procurar aprendiz de boa, livre e honrada estirpe, ou pertencente à nobreza.

Que seja o aprendiz de legítima filiação. Seja ele válido e hígido, por não convir ao ofício um aleijado, um coxo, um mutilado ou um homem fisicamente imperfeito, diante de uma profissão destinada a criaturas forte.

6° O Mestre não deve causar qualquer prejuízo ao senhor (proprietário da obra), do qual nada poderá tirar para o aprendiz, nem mesmo o que receber em nome dos companheiros, visto que esses são de maior habilidade. Nem seria razoável que aprendiz recebesse pagamento igual ao dos companheiros. Todavia pode o Mestre comunicar ao aprendiz um aumento de salário conforme a melhoria de trabalho, até alcançar uma boa diária.

7° O Mestre é proibido de auxiliar, por favor ou por medo, a ladrões, assassinos e pessoas de má reputação.

8° Pode o Mestre substituir o obreiro menos habilitado por outro mais competente.

Nunca se encarregue o Mestre de qualquer obra que não possa terminá-la e completá-la a tempo, com solidez e fortaleza desde os alicerces, de modo a satisfazer ao proprietário e à Fraternidade.

10° A nenhum Mestre é dado suplantar o outro, sob pena não inferior a dez libras, salvo se o primeiro encarregado for culpado.

11° O Mestre não deve trabalhar à noite, salvo para desenvolver o seu talento.

12° É vedado ao Mestre desmerecer de seu Irmão.

13° Ensine o Mestre o seu aprendiz, bem e completamente.

14° O Mestre não deve admitir aprendiz, a não ser quando se empenhe em obras diversas, sobre as quais deverá instituir o aprendiz.

15° Nunca se permita ao aprendiz proferir ou sustentar mentiras, ou apoiá-las. A ninguém é dado consentimento de mentir ou jurar falsamente.

Os 15 pontos complementares a esses estatutos (traduzido do francês por tsmaia)

1º ponto - Todo o Mestre deve amar a Deus sobre tudo. A sua Igreja e aos seus companheiros de trabalho.


2º ponto - Os pedreiros devem ser pagos em dia.

3° ponto - Os Aprendizes devem manter sigilo de tudo que assimilar dos seus Mestres de tudo o que ouve e vê, em Loja.

ponto - O Aprendiz não deve causar nenhum transtorno para o serviço que executa ou para a profissão, nem para o seu mestre, ou para seu companheiro sujeitos as mesmas leis

5º ponto - O pedreiro deve receber o salário de seu mestre que deve dispensa-lo antes do meio dia se não houver atribuição para eles

6º ponto - As desavenças entre os pedreiros devem ser ajustadas de modo amigável, após a jornada de trabalho ou em hora de folga.

7º ponto - Um pedreiro não deve se deitar com a mulher de um mestre, nem com a de um companheiro

8º ponto - Um Mestre pode nomear um companheiro a posto de responsabilidade intermediária, entre a sua e a dos demais membros.

9º ponto - Os companheiros devem se servir à mesa, obter provisões e prestar contas de suas despesas.

10º ponto - Os companheiros não devem dar apoio aos que persistem nas faltas sob pena de se convocados à assembléia e dispensados.

11º ponto - Um pedreiro deve corrigir com amabilidade trabalhos defeituosos.

12º ponto - Em Assembléia, os Mestres, os companheiro, os comanditários e dignitários deverão estar de acordo para fazer respeitar as leis do trabalho.

13º ponto - O pedreiro não deve roubar ou ser cúmplice de um ladrão.

14º ponto - Um pedreiro deve jurar fidelidade ao seu Mestre, aos demais companheiros e ao seu Rei

15º ponto - Os transgressores desses Estatutos serão convocados diante de uma Assembléia. Se persistirem, na falta, serão impedidos de exercer a profissão, postos em prisão e verão seus bens confiscados.

Um ponto polêmico no Manuscrito

O Manuscrito é utilizado como argumento de alguns historiadores maçônicos para afirmar que em sua data não se cogitava a não aceitação da mulher na Maçonaria Operativa, dando, ao contrário, notícias de que ela era normalmente aceita, ou pelo menos colaborava com a Maçonaria, pois seu Artigo 10, nos versos 203 e 204, diz que nenhum Mestre suplante outro, senão que procedam entre si como irmão e irmã. O Poema (ou Manuscrito) prescreve apenas a não aceitação de escravos (servos) e inválidos.

Abaixo segue o Manuscrito completo:

O Manuscrito Halliwell ou Poema Regius II

Aqui começam os Estatutos da Arte da Geometria segundo Euclides


Aquele que quiser ler e pesquisar
Pode encontrar, contada em um livro antigo, A história de grandes senhores e belas damas
Que tinham um grande número de filhos muito sensatos, Mas nenhum dinheiro para criá-los,
Na cidade, nos campos e na floresta, Fizeram uma assembleia.
Por amor a seus filhos para decidir Como ganhariam a vida
Sem preocupação nem angústia com o futuro De seus numerosos descendentes
Que iriam nascer quando eles mesmos fossem apenas cinzas. Eles iriam buscar os grandes sábios
Para que lhes fossem ensinados bons ofícios.

Nós rezamos, por amor a nosso Senhor,
Para que nossos filhos façam belos e bons trabalhos Para ganharem a vida,
Sem dificuldade, mas sim com honestidade e sem medo do dia de amanhã. Naquele tempo, por meio da geometria,
Esse honesto ofício que é a maçonaria Foi concebido
E organizado por uma nobre assembleia de sábios.
Esses sábios, conforme o desejo dos senhores, inventaram a geometria E a denominaram maçonaria

Para que ela se tornasse o mais belo dos ofícios. Os filhos dos senhores foram para junto do sábio Para que ele lhes ensinasse o ofício da geometria. Tarefa que desempenhou muito bem.

Respondendo às súplicas dos pais e mães, Ele os iniciou no ofício.
Quem aprendia melhor o ofício que os outros E se mostrava honesto
Tinha mais direito à consideração. Euclides era o nome do grande sábio. Célebre ele se tornou.
Ele fez com que aquele que soubesse muito Instruísse aquele que sabia menos
Para que todos fossem perfeitos no ofício. Sim, eles deviam instruir uns aos outros
E amar-se como se amam Irmãos e irmãs.

Ele disse que aquele que fosse mais bem formado Seria chamado Mestre.
Para que fosse reverenciado
É assim que devia ser chamado. Um maçom nunca deveria chamar Alguém do ofício
A não ser de Irmão,
Mesmo que ele não seja muito hábil. Entre os maçons deve reinar o amor, Pois todos são de nobre linhagem.
O ofício da maçonaria teve seu início
Quando o sábio Euclides em sua grande sabedoria Fundou o ofício nas terras do Egito.

Foi em terras do Egito que ele transmitiu Seu ensinamento.
Isso durou um longo tempo
Até que o ofício viesse para nosso país. O ofício chegou na Inglaterra
Quando reinava o rei Athelstan.
Ele mandou construir castelos e edificações, Altos templos extraordinários
Para deleitar-se, de dia ou à noite,
E para reverenciar Deus com toda a sua alma. O bom senhor amava o ofício
E empenhava-se em fortalecê-lo,

Pois ele havia observado uma certa fraqueza. Ele ordenou, portanto, que se buscasse no país

Os maçons de ofício Que foram até ele
Para corrigir essas imperfeições de seus conselhos. Reuniram-se homens de diferentes classes, Duques, condes, barões,
Cavaleiros, escudeiros e muitos outros,
Do mesmo modo, os burgueses da cidade. Todos estavam lá, conforme sua classe, Para definir os estatutos dos maçons.
Eles uniram seus espíritos
E desempenharam bem sua tarefa. Anunciaram quinze artigos
E determinaram quinze pontos.

ARTIGO PRIMEIRO


O primeiro artigo da geometria: Podemos confiar em um Mestre maçom Pois ele é firme, sincero e verdadeiro.
Ele não será contestado
Se pagar os Companheiros após a refeição Conforme o valor habitual.
Ele deverá remunerá-los equitativamente segundo a boa-fé E os méritos deles
Sem nunca levar vantagem. Eles gastarão o que ganharem
E não economizarão por avareza ou por medo da falta. Eles não terão mais
De um senhor ou de um companheiro. Deles não tome nada
Seja como um juiz, aja dentro da justiça,
Assim você dará a cada um de acordo com seu mérito. Faça isso da melhor forma que puder
Para sua honra e seu proveito.

ARTIGO SEGUNDO


O segundo artigo da boa maçonaria é característico.
Todo MESTRE maçom
Deve comparecer às assembleias gerais.

Ele deve portanto dizer
Onde a assembleia será realizada. A essa reunião ele assistirá
Excepto em caso de justificativa válida,
Sob pena de ser reputado rebelde ao ofício E sem honra.
Se uma doença vier a se apoderar dele E ele não puder vir
Isso será uma justificativa válida
Que a assembleia aceitará como tal, se ela for verdadeira.

ARTIGO TERCEIRO


O artigo terceiro, em verdade,
É que o MESTRE não aceitará nenhum Aprendiz
Que ele não tenha certeza de empregar durante ao menos Sete anos.
Duração que não pode ser inferior.
Ela não poderá ser de nenhum proveito para o senhor Nem para ele próprio.
Isso se compreende facilmente
Por menos que se raciocine a respeito.

ARTIGO QUARTO


O quarto artigo é
Que o MESTRE não poderá Tomar um servo como Aprendiz
Ou empregá-lo como engodo do lucro, Pois seu senhor poderá buscar o Aprendiz Onde quer que vá.
Se ele fosse recrutado na LOJA, Poderia haver desordem.
Um caso desses prejudicaria a todos. Todos os maçons seriam atingidos. Se tal homem assumisse o ofício Muitas desordens ocorreriam.
Para a paz e a harmonia,
Admitam um Aprendiz de boa condição. Antigamente, é o que estava escrito,
O Aprendiz deveria ser de alta linhagem. Assim, filhos de grandes senhores Aprenderam a geometria, fonte de benefícios.

ARTIGO QUINTO


O quinto artigo é deliciosamente bom. O Aprendiz não pode ser bastardo.
O MESTRE nunca admitirá
Como Aprendiz uma cabeça perturbada. Assim vocês compreendem
Que ele deve ter os membros em bom estado. O ofício padeceria
Se entrasse um amputado, um coxo, Pois um homem enfraquecido
Não poderia cumprir sua tarefa. Cada um de vocês compreenderá
Que o ofício demanda homens fortes.
Um homem mutilado não tem força suficiente. Isso vocês sabem muito tempo.

ARTIGO SEXTO


Ninguém deve esquecer o artigo sexto
Que diz que o M.1, não pode prejudicar o senhor, Solicitando ao senhor para seu Aprendiz
O que ele aos Companheiros, Pois estes são formados, Enquanto o outro ainda não é. Seria contrário à razão
Dar-lhe o salário dos Companheiros.
Este artigo diz que o Aprendiz deve solicitar
Menos que os Companheiros, que conhecem o ofício. Em muitas disciplinas, é preciso que se saiba,
O MESTRE pode instruir seu Aprendiz
Para que seu salário possa ser aumentado. Quando ele tiver cumprido seu tempo,
Seu salário será aumentado.

ARTIGO SÉTIMO


Eis agora o artigo sétimo
Que diz claramente, Companheiros,
Que nenhum MESTRE, por favor ou medo, Deverá vestir ou alimentar um ladrão.
Ele nunca acolherá um ladrão, Nem um assassino,

Nem alguém com reputação duvidosa, Pois isso envergonharia o ofício

ARTIGO OITAVO


O artigo oitavo lhes mostra aqui O que o MESTRE deve fazer
Se ele tiver diante de si um homem do ofício Que não tenha capacidade suficiente.
Ele pode substituí-lo
E colocar em seu lugar alguém mais competente. Pois um homem que tenha fraquezas
Pode prejudicar o oficio.

ARTIGO NONO


É claro,
O MESTRE deve ser ao mesmo tempo escutado e temido. Ele não iniciará nenhum trabalho
Se não estiver certo de conduzi-lo bem. Isso para o benefício do senhor
E do ofício.
Ele verificará as fundações
E zelará para que não oscilem nem desabem

ARTIGO DÉCIMO


O artigo décimo ensina a vocês,
Que estão no alto ou debaixo na escala do ofício, Que nenhum MESTRE deve sobrepujar um outro, Mas construir em conjunto
Sob a direção do MESTRE.
Ele não intrigará um Companheiro Que tiver realizado um trabalho. Se isso ocorrer,
Ele pagará uma multa de dez libras, Excepto se aquele que chefiava a obra For julgado culpado.
Nenhum maçom poderá assumir o trabalho de um outro, Excepto se este ameaçar a obra.
Um maçom pode então assumir a obra Para o benefício do senhor.
Nesse caso,

Nenhum maçom poderá se opor.
É verdade que, aquele que escavou as fundações, Se for um verdadeiro maçom,
Certamente conduzirá a obra a bom termo.

ARTIGO DÉCIMO PRIMEIRO


O artigo décimo primeiro, eu lhes digo,
É justo e sem rodeios. Ele diz com vigor
Que nenhum maçom deve trabalhar durante a noite, Excepto para dedicar-se ao estudo
Pelo qual poderá aperfeiçoar-se.

ARTIGO DÉCIMO SEGUNDO


O artigo décimo segundo diz que todo maçom Deve ser honesto.
Ele nunca deve criticar o trabalho dos Companheiros Se quiser manter sua honra.
Seu comentário será honesto. Pois o saber vem de Deus.
Todos os Companheiros devem trabalhar juntos Para aperfeiçoar o ofício.

ARTIGO DÉCIMO TERCEIRO


O artigo décimo terceiro, que Deus me guarde, Diz que, se o MESTRE admitir um Aprendiz,
Ele o instruirá da melhor forma que puder, Transmitindo-lhe seu saber.
Assim ele conhecerá o oficio e poderá Trabalhar, não importa em que lugar da terra.

ARTIGO DÉCIMO QUARTO


O artigo décimo quarto diz com razão Como deve se comportar o MESTRE. Ele não admitirá um Aprendiz
Se não tiver utilidade para ele. Durante o aprendizado,
Ele lhe ensinará os diferentes pontos.

ARTIGO DÉCIMO QUINTO


O artigo décimo quinto, o último,
Diz que o MESTRE não deve ter para com os outros homens Um comportamento hipócrita,
Nem seguir os Companheiros no caminho do erro, Qualquer que seja o benefício que possa ter.
Ele nunca deverá fazer um falso juramento e Com amor deverá preocupar-se com sua alma, Sob pena de trazer para o ofício a vergonha
E para si a repreensão.

PRIMEIRO PONTO


Nesta assembleia, grandes senhores e MESTRES Adotaram diversos pontos.
Quem quiser aprender o ofício e abraçá-lo Deverá amar a Deus e a Santa Igreja.
Seu MESTRE também,
E igualmente seus Companheiros É o que deseja o ofício.

SEGUNDO PONTO


O segundo ponto diz
Que o maçom trabalhará nos dias úteis Da melhor forma possível,
A fim de merecer seu salário e os dias de repouso. Pois quem tiver feito bem seu trabalho
Merecerá grande reconforto.

TERCEIRO PONTO


O terceiro ponto é muito claro
Com relação ao Aprendiz, saibam bem.
De boa vontade ele deverá guardar segredo sobre os ensinamentos De seu MESTRE e de seus Companheiros.
Ele nunca trairá as decisões da câmara Nem o que se faz na Loja
O que quer que possa ser dito ou feito, Nada será dito.
Tudo o que você ouvir, na Loja, ou na floresta, Guarde para si, honradamente,

Sem o que, você mereceria uma repreensão
E grande vergonha abater-se-ia sobre o ofício.

QUARTO PONTO


O quarto ponto nos diz
Que ninguém deve mostrar-se pérfido para com o ofício. Se cometer um erro que possa prejudicar o ofício,
Ele deverá cessar.
Ele não fará nenhum dano
Ao MESTRE ou aos Companheiros. O Aprendiz com respeito Obedecerá às mesmas leis.

QUINTO PONTO


O quinto ponto não é contestável. Quando o maçom receber seu salário Do MESTRE, como foi acertado,
Ele o receberá humildemente.
Mas o Mestre terá um grande cuidado Em avisá-lo antes do meio-dia
Se não quiser mais empregá-lo, Como tinha o costume de fazer. Assim, se a ordem for respeitada, As coisas irão bem.

SEXTO PONTO


O sexto ponto será conhecido por todos
Do mais alto ao mais baixo degrau da escala. Pode acontecer
Que alguns maçons, por inveja ou ira, Deixem surgir uma disputa.
O MESTRE, se isso estiver em seu poder,
Deverá lhes fixar uma data, após a jornada de trabalho, Para que possam se explicar.
Eles só tentarão fazer as pazes
Após o término de sua jornada de trabalho. Durante os dias de licença, vocês poderão Usar o tempo livre para se reconciliar.
Se vocês marcarem a conciliação fora de um dia de licença, Isso acabará por perturbar o trabalho.

Façam de modo com que eles cheguem a um acordo Para que permaneçam sob a lei de Deus.

SÉTIMO PONTO


O sétimo ponto ensina como manter honesta A vida que Deus nos dá.
Assim como Ele ordena,
Você não dormirá com a mulher de seu MESTRE
Nem de seus Companheiros, não é digno de um homem. Isso prejudicaria o ofício.
Nem com a concubina de seus Companheiros,
Pois você não gostaria que fizessem o mesmo com a sua. A punição para essa falta
Será permanecer Aprendiz durante sete anos completos. Quem esquecer um desses pontos
Será duramente castigado,
Pois a infelicidade poderia resultar De tal pecado mortal

OITAVO PONTO


O oitavo ponto não deixa nenhuma dúvida.
Se você receber uma tarefa, qualquer que seja ela, Ao MESTRE permaneça fiel.
Você nunca será desiludido. Seja um leal intermediário
Entre o Mestre e os Companheiros
Aja equitativamente tanto com um quanto com os outros. Isso será uma boa coisa.

NONO PONTO


O nono ponto refere-se Ao intendente da casa.
Se vocês dois estiverem em casa,
Um deverá servir o outro com moderação e dedicação. Companheiros, vocês devem saber
Que na sua vez vocês serão intendentes, Não nenhuma dúvida.
Ser intendente
É servir os outros Como irmãs e Irmãos

Nunca tente
Escapar dessa tarefa. Todos devem exercê-la Como se deve.
Não se esqueça de pagar convenientemente Quem lhe vendeu provisões
Para que não possam ter queixas contra você
Nem contra seus Companheiros, homem ou mulher. Deverão ser pagos de acordo com seus méritos.
Além disso, você dará ao companheiro O detalhe do seu salário,
A fim de evitar qualquer confusão. Assim você não será repreendido.
Por sua vez, ele deverá manter controle exato Dos bens que tiver recebido,
Das despesas feitas para os Companheiros, Das quais você prestará contas
Quando os Companheiros lhe solicitarem.

DÉCIMO PONTO


O décimo ponto explica como viver bem Sem confusão nem discussão.
Se algum dia um maçom for colocado em posição difícil, Se ele cometer um engano em sua obra
E inventar desculpas,
Ele não hesitará em desonrar seus Companheiros. Por causa de tais infâmias
O ofício poderá ser censurado. Se ele aviltar o oficio
Não lhe poupem de nada E tentem afastá-lo do vício,
Sob pena de verem nascer guerras e conflitos.
Não lhe permitam nenhum repouso. Até que o tenham convencido A comparecer diante de vocês
De boa ou má vontade.
Durante a assembleia, ele comparecerá
Diante de todos os seus Companheiros reunidos. Se ele se recusar,
Ele será excluído do oficio
E castigado de acordo com o código de nossos anciãos.

DÉCIMO PRIMEIRO PONTO


O décimo primeiro ponto recorre à discrição. Com razão vocês podem compreendê-lo.
Um maçom que conhece o oficio,
Que seu companheiro talhar uma pedra E ameaçar desperdiçá-la,
Deve corrigi-lo se puder
E ensiná-lo como realizar o talhe
Para que não seja maltratada a obra do Senhor. Mostre-lhe como terminá-la
Com palavras calorosas que Deus lhe dá. Por amor por Aquele que está no alto, Por meio de palavras cultive a amizade.

DÉCIMO SEGUNDO PONTO


O décimo segundo ponto não pode ser mais realista. No local onde será realizada a assembleia
Haverá Mestres, Companheiros, Grandes senhores.
Haverá também o xerife, O prefeito da cidade, Cavaleiros e escudeiros E almotacéis.
Todas as ordens dadas por eles Serão respeitadas ao da letra Pelos homens do oficio.
Se ocorrer alguma contestação, Eles têm poder de decisão.

DÉCIMO TERCEIRO PONTO


O décimo terceiro ponto é muito útil. Um maçom nunca deve roubar
Nem auxiliar um ladrão
Com o objectivo de receber uma parte do roubo. Ao cometer esse pecado, ele prejudicaria
A si e a sua família.

DÉCIMO QUARTO PONTO


O décimo quarto ponto é boa lei Para aquele que tem medo.
Ele deve prestar juramento

Diante de seu MESTRE e seus Companheiros. Ele obedecerá com zelo
Às ordens,
A seu senhor, ao rei, Aos quais será fiel.
Todos os pontos que acabamos de enumerar Você deve respeitar
E prestar juramento, queira ou não. Todos os pontos
Foram ditados pela razão.
É preciso saber que será verificado
Que os Companheiros os coloquem em prática. Se alguém vier a esquecê-los,
Qualquer que seja sua posição, Ele será detido
E conduzido diante desta assembleia.

DÉCIMO QUINTO PONTO


O décimo quinto ponto é de grande proveito Para aqueles que prestaram juramento.
Esta ordem é obra
Dos senhores e Mestres citados acima.
Ela foi redigida para impedir que se prejudique Aqueles que recusarem esta constituição
E seus artigos escritos Pelos senhores e maçons.
Se suas faltas forem provadas Diante desta assembleia,
E eles não quiserem emendar-se, Deverão renunciar ao ofício
E jurar abandoná-lo.
A menos que reconheçam sua culpa, Eles não farão mais parte do oficio. E se recusarem-se a obedecer
O xerife os deterá imediatamente E os lançará em uma escura prisão.
Seus bens e seu gado serão confiscados Pelo tempo que aprouver ao rei.
Um outro regulamento da Arte da Geometria Ordenou-se que anualmente
Uma assembleia seja realizada

Para verificar e retificar os erros Do ofício no país.
Todos os anos ou a cada três anos, Conforme o caso, será assim
No local por eles escolhido.
Data e local serão fixados, assim como A localização exata.
Todos os homens do ofício assistirão a ela Assim como os senhores
Para corrigir os erros do ofício.
Todos aqueles que pertençam ao ofício Deverão jurar manter puros
Os estatutos do ofício
Tal como foram redigidos pelo rei Athelstan. Esses estatutos, por mim encontrados, Devem ser respeitados no território,
Fiéis à realeza que devo a minha Dignidade.
Em cada assembleia,
Venham sentar-se junto de seu rei, A fim de encontrar nele a graça Para que ela permaneça em vocês.
Eu confirmo os estatutos do rei Athelstan Que os ditou para o ofício.
A arte dos Quatro Coroados.

Supliquemos a Deus Todo-Poderoso E à Virgem Maria
Para que sejam protegidos esses artigos E esses pontos,
Como esses quatro mártires
Que no ofício foram considerados com grande honra Eles eram os melhores maçons da Terra,
Escultores em madeira, fabricantes de imagens. O imperador que tinha alta estima
Por esses nobres operários
Ordenou-lhes que criassem uma estátua à sua imagem Que seria venerada.
Ele queria assim desviar O povo da lei de Cristo.
Esses homens tinham fé na lei de Cristo
E em seu ofício, que não desejavam desonrar. Eles adoravam Deus e seu ensinamento,
E desejavam permanecer a seu serviço. Eles eram homens puros e sinceros

Que viviam segundo a lei divina,
Não queriam de forma alguma criar ídolos, Apesar do beneficio que podiam obter com isso. Recusaram-se a criar uma imitação de Deus.
Não queriam renunciar a sua fé
E se perder nos caminhos de uma falsa lei.
O imperador irado ordenou que fossem detidos E mantidos em um profundo calabouço.
Quanto mais ele os detinha prisioneiros, Mais eles viviam na graça do Cristo.
Quando o rei viu que era impotente, Ele ordenou que os matassem.
Se vocês quiserem saber mais Vocês encontrarão no livro Da Lenda dos santos.
Os nomes dos Quatro Coroados São conhecidos por todos.
Sua festa ocorre no oitavo dia após O Dia de Todos os Santos.
Escutem agora o que pude ler. Bem depois que o Dilúvio de Noé, Que angustiou todos, secasse,
Os homens construíram a torre da Babilônia, De cal e pedra, de uma tal altura
Que nenhum homem havia visto antes disso. O edifício era tão comprido e tão grande
Que fazia com sua altura uma sombra de sete milhas. O rei Nabucodonosor o fez robusto
Para que, se um outro dilúvio acontecesse, Não destruísse a obra.
Os homens tinham tanto orgulho E faziam tanto alvoroço
Que a obra foi destruída Quando um anjo a atingiu.
O anjo diversificou tanto as línguas
Que os homens não se compreendiam mais. Depois de muitos anos, o bom sábio Euclides Andou pelo mundo para ensinar geometria. E ele fez outras coisas,
Diferentes ofícios, em grande número. Pela graça do Cristo nos Céus
Ele fundou as sete ciências.
Gramática é a primeira, se não me engano. Dialéctica é a segunda, sejamos abençoados. Retórica é a terceira, não há contestação.

Como lhes digo, Música é a quarta. Astronomia é a quinta, por minhas barbas. Aritmética é a sexta, não nenhuma dúvida. Geometria, a sétima, encerra essa lista.
Feita de doçura e cortesia, Gramática é uma raiz,
Todos a encontram nos livros. Mas o ofício ultrapassa esse nível
Como o fruto vai além da raiz da árvore. A retórica orna a palavra
E a música é um canto melodioso.
A astronomia faz a soma dos planetas.
A aritmética permite mostrar que uma coisa É igual a outra.
Geometria, sétima ciência,
Permite distinguir o que é falso do que é verdadeiro, Estou convicto.
Eis as sete ciências.
Quem bem as usa pode atingir o céu. Filho, tenha bom senso
Para deixar para trás o orgulho e a inveja. Oriente seu espírito para uma sadia sobriedade, Para que caminhe na boa direção.
Agora eu lhes digo, prestem atenção
Ao que vem a seguir, que será muito útil. O que está escrito aqui
Não é suficiente.
Se a inteligência lhe faltar,
Reze a seu Deus para que ele o ajude. O Cristo nos disse,
Que a Santa Igreja é a casa de Deus. O Livro da Lei diz em verdade
Que ela é feita para a prece. É que o povo deve ir
Rezar e reconhecer seus pecados. Nunca chegue atrasado na igreja, Depois de se divertir diante da porta. Quando você for para a igreja,
Tenha no espírito
Que você deve honrar seu Senhor, Tanto de dia quanto à noite,
Com seu espírito e sua energia. Na porta da igreja
Apanhe a água benta. Cada gota sobre sua fronte

Perdoará um pecado venial.
Não esqueça de baixar seu capuz
Pelo amor por Aquele que morreu na cruz. Na igreja
Você elevará seu coração em fraternidade para o Cristo. Levante o olhar para a cruz
E fique de joelhos.
Que Ele o apoie em seu trabalho Como deseja a Santa Igreja
E que Ele guarde os dez mandamentos Que Deus ditou aos homens.
Suplique a Ele com humildade
Para o proteger dos sete grandes pecados Para que em sua vida
Não haja nem preocupações nem guerras. Peça a Ele
Um lugar no Céu.
Na Santa Igreja, abandone a subtileza, A luxúria e a obscenidade,
Assim como sua vaidade.
E reze seu Pater noster e sua Ave. Não reze ostensivamente
Mas esteja em suas súplicas.
Se um dia você não puder mais rezar
Não perturbe os outros em suas devoções. Sobretudo não fique nem sentado nem em pé, Mas sim de joelhos no chão.
Quando eu ler o Evangelho
Você se levantará sem se apoiar sobre a parede
E você fará o sinal da cruz, se lhe tiverem ensinado. Quando ecoar a Glória,
Quando o Evangelho for dito, Você se ajoelhará.
Com os dois joelhos no chão,
Você adorará Aquele que nos remiu. Quando soar o sino
Antes da Elevação
Jovens e velhos, vos se ajoelharão E elevando suas duas mãos
Vocês dirão:
Senhor Jesus, por seu nome que é santo, Livre-me do pecado e da vergonha.
Absolve meus pecados e dê-me a comunhão. E poderei seguir purificado
Para que eu não morra em estado de impureza.

Você, nascido de uma virgem,
Faça com que eu nunca esteja perdido. Quando eu deixar este mundo,
Dê-me a felicidade eterna. Amém, amém, assim seja.
Agora, graciosa dama, reze por mim. Quando vier a Elevação, ajoelhe-se
E agradeça com fervor Àquele que tudo moldou. Feliz é aquele que pôde ver um único dia
O Senhor.
É um bem precioso
Ao qual ninguém pode atribuir um preço. Esta visão faz um bem tão grande,
Como disse Santo Agostinho no passado. No dia em que você vir Deus,
Bebida e comida lhe serão concedidos. Nada o poderá prejudicar,
Nem os insultos nem as zombarias, Deus o acolherá no instante da morte. Não tema a morte.
Quando o momento chegar, eu lhe juro, Você terá os olhos abertos
E seus passos o guiarão Para uma santa visão.
O Anjo Gabriel estará a seu lado E manterá seus olhos abertos. Dito tudo isso, é hora de terminar Com relação à missa.
Assista ao ofício a cada dia. Mas, se seu trabalho o impede, Quando soarem os sinos,
Reze a seu Deus de todo o coração E esteja com Ele em pensamento Na cerimônia.
Eu lhe recomendo,
A você e seus Companheiros, escutar o que eu digo. Diante de um senhor, em sua casa, na sala ou à mesa, Tire o chapéu ou o capuz antes de falar.
Fica bem se inclinar duas ou três vezes Diante desse senhor
Colocando o joelho direito no chão. Você manterá sua honra.
Não cubra a cabeça
Enquanto não lhe disserem para fazê-lo. Quando falar com ele,

Seja amável e franco.
Faça como diz o Livro da Lei Fite-lhe os olhos amavelmente E examine seus pés e mãos.
Evite se coçar ou tropeçar.
Não cuspa jamais, nem assoe o nariz. Espere estar sozinho para fazê-lo.
Você tem grandes qualidades em você, Mas aja humildemente.
Quando estiver na casa de um senhor Seja simples.
Não faça alarde de seu nascimento Ou de seus conhecimentos.
Não assoe o nariz e não se apoie na parede. Uma educação honesta
Não pode permitir tais comportamentos. A perfeição de seus gestos abrirá portas.
Pouco importa quem eram seu pai e sua mãe, Digno é o filho que se comporta bem.
Onde quer que você vá, são as boas maneiras Que fazem o homem.
Conheça seu próximo
A fim de lhe render a homenagem que lhe é devida. Nunca cumprimente todas as pessoas ao mesmo tempo, A menos que você as conheça.
À mesa, Coma sem gula. Suas mãos estão limpas, Sua faca afiada?
Não desperdice o pão pela carne Que você não comerá.
Se o homem próximo a você for de condição superior, Ele se servirá
Antes de você.
Não pegue o melhor pedaço, Aquele que você prefere.
Suas mãos devem estar limpas. Não suje o guardanapo,
Ele não serve para você assoar o nariz. Não limpe seus dentes à mesa.
Não esvazie sua taça,
Mesmo que tenha muita sede. Não fique com a boca cheia Quando falar ou quando beber. E se um homem próximo a você
Se puser a beber mais que o razoável,

Interrompa seu discurso,
Esteja ele bebendo vinho ou cerveja.

Tome cuidado para não magoar ninguém Mesmo que ele pareça disposto a magoar você. Não maltrate ninguém
Se você quiser manter sua honra. Palavras podem ser ditas
Que seriam lamentadas. Guarde seu sangue frio,
Você não terá arrependimentos.
Na sala, em companhia de graciosas damas, Fique calado e observe.
Evite rir ruidosamente
E gritar como um libertino. Fale somente com seus pares
E não conte tudo que você ouviu. Não é necessário dizer o que você faz Por ostentação ou por interesse.
Maravilhosos discursos podem auxiliá-lo, Mas também levá-lo à sua perdição.
Se você encontrar um homem de valor, Mantenha a cabeça nua.

Na igreja, no mercado ou nos bairros, Cumprimente-o de acordo com sua linhagem. Quando caminhar com um homem
De linhagem mais alta,
Caminhe ligeiramente atrás dele. É sinal de bom gosto.
Deixe-o falar, mantendo sua calma.
Quando ele tiver terminado, diga o que tem a dizer, Com prudência e moderação.
Nunca o interrompa,
Mesmo que ele esteja bebendo vinho ou cerveja.

Que Cristo, em sua grande graça, Dê-lhes o tempo e o espírito
Para ler e compreender este livro,
Para que o Céu lhes seja a recompensa. Amen, amen, assim seja.
Digamos isso em uníssono, por caridade


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