sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Dario Vellozo


A\ R\ L\ S\ III MILÊNIO, Nº 110 – ORIENTE DE CAMBÉ –PR.
TRABALHO SOBRE DARIO VELLOZO


M\ M\: ONÉZIMO BURATTO.

À G\ D\ G\ A\ D\ U\.

A\R\L\S\ III Milênio, nº 110 – Oriente de Cambé.

TRABALHO SOBRE “DARIOVELLOZO”.

Consta no Regimento Interno da L\ S\ III Milênio, em seu artigo 151, que “a Loja em sessão solene, comemorará em 26 de novembro o aniversário de nascimento de Dario Vellozo”. Neste ano, comemora-se 138 anos do seu nascimento.

Dario Persiano de Castro Vellozo foi um grande idealista, mestre, filósofo, orador, poeta simbolista*, apóstolo da renúncia, essencialista*, historiador, maçom eminente, iniciado martinista, humanista convicto, e, talvez dos helenistas*, um dos últimos verdadeiramente pitagóricos*.

Dario Vellozo nasceu no Retiro Saudoso, bairro de São Cristóvão no Rio de Janeiro, no dia 26 de novembro de 1869. Filho de Zulmira Mariana Dias de Castro e de Ciro Persiano de Almeida Vellozo, que era Oficial de Armada, tendo lutado na Guerra do Paraguai.

A vida colegial de Dario Vellozo começou na escola particular Liceu de São Cristóvão. Os estudos secundários, iniciou-os no mesmo Liceu de São Cristóvão, continuando mais tarde em 1886, em Curitiba, no "Partenon Paranaense" e depois no "Instituto Paranaense".

Nos anos de 1883 e 1884 no Rio de Janeiro, ainda muito jovem, começou a trabalhar como aprendiz de encadernador, na casa H. Lombaerts & Cia., (de um belga chamado Henri Gustave Lombaerts que na década de 1870 era uma das maiores litografias do Rio de Janeiro, e que em 1884 já trabalhava com fototipia*, e que era um entusiasta em revistas de arte e que também publicava escritos científicos e literários, como os de Machado de Assis, Coelho Neto entre outros). Exerceu também o cargo de tipógrafo-compositor, na casa Moreira Máximo & Cia., em 1884 e 1885.

Mudou-se para Curitiba com a família em 04 de agosto de 1885 - cidade que chamou de Nova Atenas - quando tinha dezesseis anos. Foi amanuense de polícia, tipógrafo na oficina do jornal Dezenove de Dezembro, onde travou amizade com Lycio de Carvalho que também trabalhava como compositor-tipógrafo, foi empregado da Secretaria da Fazenda, professor de História de nível secundário e especialmente de nível superior do Ginásio e Escola Normal de Curitiba. Nunca ocupou cargos políticos. Foi também redator de debates do Congresso Paranaense.

As atividades literárias do mestre começaram entre 1885 e 1889 quando lançou seu primeiro livro intitulado “Primeiros Ensaios”, editorado nas oficinas do jornal Dezenove de Dezembro e fundou "O Mosqueteiro".

Junto com Mário Tourinho, Júlio Teodorico e Tito Vellozo seu irmão, - o Atos e o D'Artagnan da roda que se estabeleceu entre os quatro - formavam o cenáculo* e o superno culto de amizade.

O Romance de Dumas - os Três Mosqueteiros, - delineou o edifício da grande amizade. Na efervescência da campanha republicana, em 1889, redigiu "A Idéia", órgão propagandista dos estudantes. Foi diretor da revista "Clube Curitibano" de 1890 a 1901. Fundou com Júlio Perneta e Antônio Braga, a "Revista Azul" que foi suspensa com a revolta da esquadra em 1893. Surgiu depois "O Cenáculo", revista que se fez conhecida no país e teve a colaboração de Rocha Pombo, Carvalho de Mendonça, Albino Silva e outros grandes vultos das letras nacionais, no decorrer dos anos de 1895 a 1897.

Com Emiliano Perneta, de quem era íntimo amigo, formam os dois maiores poetas simbolistas do Paraná.

Foi lente-catedrático, por concurso, da Cadeira de História Universal, exercendo-a de 1898 a 1930.

Dario Vellozo foi iniciado na maçonaria em 09 de julho de 1898, na Loja Maçônica Perseverança de Paranaguá. Em 1907 foi instalado V\ M\ na Loja Fraternidade Paranaense, onde exerceu dois mandatos consecutivos.

A Loja Maçônica Luz Invisível de Curitiba, foi fundada por 25 IIr\, muitos deles oriundos ou de alguma forma ligados a Federação Espírita do Paraná. Entre estes, destacava-se Dario Vellozo.

De 1898 a 1902 colaborou com a revista "Jerusalém" da Loja Maçônica Fraternidade Paranaense. Redigiu "A Esfinge", que fundou para propagação de estudos esotéricos e ciências ocultas, com duração entre os anos de 1899 e 1908.

Em 1904, foi nomeado Soberano Delegado Geral da Ordem Martinista* para o Brasil, pelo Supremo Conselho presidido por Papus (o Dr. Encausse), através da Carta Patente número 141. O poeta e filósofo Dario Vellozo era S.I. IV(XDR/8) e foi iniciado por Papus. Após alguns anos tentando organizar a Ordem Martinista no Brasil, sem grande êxito, abandonou tudo para dedicar-se à fundação do seu "Instituto Neo-Pitagórico”, em Curitiba no ano de 1909.

De 1909 a 1912 fundou e redigiu o "Ramo de Acácia" para propaganda e dedicação ao Pitagorismo e Teosofia*. Também fundou "Pátria e Lar", publicada em 1912 e 1913, dedicada aos estudos de sociologia. De 1916 a 1920 circulou "Mirto e Acácia", que fundou para divulgação de estudos iniciáticos. Tornou-se mestre em ocultismo pela Escola Superior de Ciências Herméticas de Paris.

Em 1918 fundou a revista "Brasil Cívico" como fator de reeducação nacional, que teve duração de apenas um ano. De 1920 a 1927 circularam suas revistas "Pitágoras" e "Luz de Crótona", dedicadas a Teosofia, Maçonaria e Pitagorismo.

Com o arquiteto e poeta maranhense Mariano Alves de Farias, apresentou em 1930 a "Lâmpada", órgão do Instituto Neo-Pitagórico que até hoje circula graças à dedicação imperecível de seu genro Rozala Garzuze, imigrante libanês, médico e professor, casado com sua filha Carmem.

Não foi somente na imprensa que sua tarefa intelectual foi extensa e valiosa, porque sua atividade bibliográfica, nitidamente doutrinária, se avoluma demonstrando as mais elevadas concepções filosóficas que, segundo alguns, antecedem de duzentos anos à época em que viveu.

Seus trabalhos documentam todos os anos de sua atividade, de sua exuberante personalidade onde predominava o poeta simbolista em todas as suas manifestações.

Muitos de seus livros foram editados pela biblioteca do Instituto Neo-Pitagórico, no interesse de divulgar todas as obras do antigo Apolônio de Tyana, seu fundador e talvez o último dos pitagóricos verdadeiramente sinceros.

Dario Vellozo foi muitas vezes delegado de organizações culturais, ordens e embaixadas, em congressos e assembléias, tais como: - Congressos do livre pensamento e maçônico, em Buenos Aires em 1906; 3º e 4º Congressos de Geografia e História, em Curitiba e Belo Horizonte, representando o Paraná em 1919; Congressos Maçônicos no Rio de Janeiro em 1904 e 1906.

Fundou muitas Instituições, tais como: Centro Esotérico "Luz Invisível", Loja Maçônica "Luz Invisível"; Instituto Neo-Pitagórico; Escola Brasil Cívico em Rio Negro, Loja Teosófica Nova Crótona; Curso de Filosofia particular e gratuito entre tantas outras. Sua tarefa de lecionar prolongou-se pelo espaço de 46 anos ininterruptos.

Com os olhos voltados sempre para a unidade da criação, Dario Vellozo, que era essencialista, adorava a essência das coisas, qual verdade absoluta e assim escreveu:

"A Essência é imutável, não evolve porque é perfeita".

"A Essência é indestrutível, mas, substancial, porque pode ser dissolvida".

"Na eternidade era Essência. Era Essência vibrando, fez-se Substância, imponderável e ponderável, perpetuou-se sob dois aspectos, Força e Matéria. Força e Matéria são polarizações da substância; na Substância está a Essência".

O escritor Tasso Azevedo da Silveira escreveu que: “Dario Vellozo é também poeta, mas acima de tudo é um apóstolo, por temperamento e por vontade. Jamais vi mais alta faculdade de fazer proselitismo*. Sua ação de presença é dominante. Uma vez preso à magia de sua saudade da Grécia, à inflexão doce e modulada de sua palavra evocativa, ao império de seu desejo soberano, de empolgar os espíritos, dificilmente saberemos manter o dom de análise fria e fugir à sugestão”.

Dario Vellozo foi mestre por excelência. Era profundamente religioso, evocativo, emotivo, e, o Deus de sua adoração não admitia forma, nem lei, cor ou preconceito.

Apaixonado pela Grécia o fez criá-la em miniatura, em pleno início do século XX, fundando no Retiro Saudoso em bosque verdejante, no seu "Horto de Lísis", no Templo das Musas (Inaugurado em 22 de setembro de 1918 em Curitiba), o templo magnífico que se ostenta em pronáus de colunas dóricas, atestando o ideal do mestre, o seu máximo ideal.

Dario Vellozo era casado com Dona Escolástica Morais de Castro Vellozo, com quem teve oito filhos (três homens e cinco mulheres).

Dario Vellozo morreu no dia 28 de Setembro 1937, portanto há 70 anos, em uma chácara nos arredores da cidade, cercado daquilo que mais cultuou em vida: amigos e livros. De acordo com suas crenças, sua mortalha foi um hábito de linho branco, como aquele que seus colegas “pitagóricos” vestiam em suas reuniões. Foi para satisfazer a última vontade de Dario que, o funeral, foi o mais modesto possível e passou à frente das casas onde o grande morto havia residido.

Seus filhos, Portos, Iliam, Alcione, Valmiki, Carmen, Atos e Lísis acompanharam todo trajeto do funeral e transportaram o ataúde do carro mortuário ao túmulo, onde foi enterrado. Nas cerimônias fúnebres falaram, Raul Gomes que representou o Centro e a Academia de Letras; Juvêncio Mendes, em nome do Instituto Neo-Pitagórico; Algacir Mader, pelo Ginásio e Escola Normal; Veríssimo de Souza e o Capitão Vieira Cavalcanti, pela Maçonaria; Atos Vellozo, filho do mestre, com a voz embargada, ao colocar uma coroa de louros sobre o caixão, disse apenas: - "Pai, amigo e mestre! Fiel aos ensinamentos pitagóricos, foste sempre bom filho, reto irmão, terno esposo e bom pai, e para amigo escolhia sempre o amigo da virtude. Do I.N.P. de que eras o fundador e Antigo, mereces esta coroa. “Ei-la”. O Governador Manoel Ribas decretou luto oficial, se fez representar nas exéquias*, bem como o governo federal e o municipal, o mundo oficial e as mais expressivas sociedades literárias e artísticas do Paraná. Nesta ocasião, a imprensa local escreveu: “Foi por isso funda a emoção da passagem ontem, através da Capital, do carro de terceira classe levando num caixão de pinho, tosco, Amortalhado no linho branco, o homem mais vestido de luz, de Curitiba”.

Principais obras: Primeiros Ensaios, Esquifes, A cabana Felah, Efêmeras, Símbolos e Miragens, contos. Esotéricas, Helicon e Cinerários, versos. Alma Penitente, poema espiritualista. Altair, contos esotéricos. Templo Maçônico, Lições de História, Compêndio de Pedagogia, No sólio do amanhã, A Trança Loura, Encantadas, romance. Voltaire e Moral dos Jesuítas, polêmica. Ramo de Ouro, doutrina pitagórica. Pelo Aborígine, com Júlio Perneta, e "Rudel", poema. Da tribuna e da imprensa e Da terapêutica oculta, estudos. Pour L'Humanité, tradução francesa de Phileas Lebesque. Mansão dos Amigos, novela pitagórica. O Habitat e a Integridade Nacional, tese do 69º Congresso de Geografia, apresentado em Belo Horizonte. Horto de Lísis, estudos pitagóricos. Os cavaleiros da távola redonda, tradução do francês. No limiar da paz, estudo interamericano. Atlântida, poema, obra máxima do mestre. Psiques e Flauta Rústica, Jesus pitagórico, Fogo sagrado, Ensino Cívico, Teatro de Wagner, Derrocada Ultramontana, Do Retiro Saudoso e Terra das araucárias, em colaboração com Gustavo de Medeiros Pontes.

"Deve compenetrar-se o Maçom, que não há fraternidade sem respeito, sem carinho, portanto, cultivar o carinho e o respeito é cultivar o lírio da fraternidade e da paz”.

“Dario Vellozo 1869/1937”.

Fontes:

- Site do Instituto Neo-Pitagórico.

- Site do Museu da Imagem e do Som.

- Site do Arquivo Público do Paraná.

- Diversos sites históricos, de Poesia e outros.

- Trabalho de Carlos Eugenio Garcia, M\I\ da L\M\ Luz Invisível nº 33 de Curitiba.

Oriente de Cambé (PR), 27 de novembro de 2007.

Onézimo Buratto - M\M\.

GLOSSÁRIO:

Simbolista: Pessoa versada na interpretação de símbolos e do simbolismo. Pessoa adepta do simbolismo, sob qualquer dos seus aspectos (filosófico, histórico ou literário).

Essencialista: Diz-se da pessoa partidária do essencialismo.

Helenista: Pessoa versada na língua e antiguidade gregas.

Fototipia: Processo de impressão planográfica, semelhante à litografia, baseado na propriedade da gelatina bicromada de, quando úmida, reter as tintas graxas apenas nas partes que sofreram a ação prévia da luz.

Pitagórico: adepto do conjunto de idéias filosóficas e doutrinas semi-religiosas que constituem o pensamento de Pitágoras.

Amanuense: funcionário público de condição modesta que fazia correspondência e copiava ou registrava documentos.

Cenáculo: Agrupamento de indivíduos que professam as mesmas idéias ou colimam o mesmo fim.

Teosofia: Conjunto de doutrinas religioso-filosóficas, ligadas ao budismo e o lamaísmo, fundada por Helena Petrovna Blavatski, que tem por objetivo a união do homem com a divindade, mediante a elevação progressiva do espírito até a iluminação.

Essência: Natureza íntima das coisas; aquilo que faz que uma coisa seja o que é, ou que lhe dá a aparência dominante; aquilo que constitui a natureza de um objeto.

Proselitismo: Zelo ou diligência em fazer prosélitos: o proselitismo religioso. (Prosélito: Adepto, partidário; pessoa que abraçou uma seita, uma doutrina, um partido ou uma religião.

Ordem Martinista: Rito do Martinismo: rito místico-teosófico fundado em Paris por volta de 1775, por Claude de Saint-Martin, composto de 10 graus de instrução, divididos em dois Templos. Em 1891 o Dr. Encausse, mais conhecido como Papus, procurou reviver o Martinismo, conseguindo difundi-lo em muitos países, inclusive no Brasil.

Exéquias: conjunto de ritos e orações que a Igreja faz, por ocasião da morte de um fiel cristão, desde o momento que expira até seu cadáver ser colocado no sepulcro ou incinerado. Cerimônias ou honras fúnebres. Cortejo fúnebre.