quinta-feira, 9 de julho de 2009

A ENCICLOPÉDIA

A ENCICLOPÉDIA

Dissemos que os fatos sobre os quais os historiadores baseiam-se foram, na maioria
dos casos, conseqüência de ações ocultas. Ora, pensamos que a revolução não seria
possível se esforços consideráveis não tivessem sido feitos precedentemente, para
orientar em um novo caminho a intelectualidade da França. É agindo sobre os espíritos
cultivados, criadores da opinião, que se prepara a revolução social. Iremos encontrar,
agora, uma prova decisiva sobre esse fato.
Em 25 de junho de 1740, o Duque D’Antin, Grão-Mestre da Franco-Maçonaria da
França, pronunciou um importante discurso no qual anunciou o grande projeto em curso,
como demonstra a seguinte citação:
“Todos os Grão-Mestres da Alemanha, Inglaterra, Itália e de outros lugares,
exortam todos os sábios e artesãos da confraternidade a se unirem para fornecer os
materiais de um dicionário universal das artes liberais e das ciências úteis, exceto
teologia e política. Já se começou a obra em Londres; e pela reunião de nossos
confrades, poder-se-á conduzi-la à perfeição em poucos anos”.
Amiable e Colfavru, em seus estudos sobre a Franco-Maçonaria no séc. XVIII,
compreenderam perfeitamente a importância desse projeto, pois, após terem falado da
Enciclopédia Inglesa de Chambers (Londres 1728), acrescentam:
“Bem mais prodigiosa foi a obra publicada na França, contendo 28 volumes infólio,
sendo 17 com texto de 11 com gravuras, aos quais foram acrescentados, em
seguida, cinco volumes suplementares, obra cujo autor principal foi Diderot, secundado
por uma plêiade de escritores de elite. Mas não lhe bastava ter colaboradores para a
boa execução de sua obra; foi-lhe necessário potentes protetores. Como poderia ter
sido protegido sem a Franco-Maçonaria?
“Além disso, as datas aqui são demonstrativas: O Duque D’Antin pronunciou seu
discurso em 1740; sabe-se que, desde 1741 Diderot preparava sua grande empresa. O
privilégio indispensável à publicação foi obtido em 1745. O primeiro volume da
Enciclopédia apareceu em 1751”.
Assim a revolução já se manifestava em duas etapas: a) Revolução Intelectual,
originada da Enciclopédia, com apoio da Franco-Maçonaria Francesa, sob a alta
impulsão do Duque D’Antin (1740); b) Revolução Oculta nas lojas, promovida em
grande parte pelos membros do Rito Templário e executado por um grupo de Franco-
Maçons expulsos, depois anistiados do Duque de Luxemburgo (1773) e presidência do
Duque de Chartres.
A revolução patente na sociedade, isto é, a aplicação à sociedade das constituições
das lojas não tardou. Retomemos a história do Grande Oriente no ponto onde a
deixamos. Uma vez constituída, a nova potência maçônica apelou a todas as lojas para
ratificar a nomeação do Duque de Chartres como Grão-Mestre.
Ao mesmo tempo (1774), o Grande Oriente instalava-se no antigo noviciado dos
Jesuítas, à rua do Pot-de-Fer, procedendo à expulsão das ovelhas sarnentas. Centro e
quatro lojas aderiram ao novo estado de coisas; mais tarde, 195 (1776); finalmente, em
1789 havia 629 lojas em atividade.
Mas um fato, em nossa opinião considerável, produziu-se em 1786. Os capítulos do
Tiro Templário tornaram-se oficialmente aliados ao Grande Oriente, chegando a fundirse
com ele. Vimos como os irmãos desse rito ajudaram na revolta de onde nasceu o
Grande Oriente. Passemos a resumir, agora, a história do Rito Templário.