sábado, 13 de junho de 2009

Corda de oitenta e um Nós

“A corda de oitenta e um nós”

Fabricio J. Machado

À Glória do Grande Arquiteto do Universo

A CORDA DE OITENTA E UM NÓS

Iniciaremos nossa pesquisa neste dia, exortando que a
Maçonaria é uma Instituição filosófica, filantrópica dotada de um esoterismo
místico e uma natural simbologia que nos conduzem a uma reflexão
profunda através de simples utensílios profanos. Dessa feita atribuir um
significado próprio aos símbolos é de sublime importância para os
aprendizes, pois é neles que nos apoiamos e com eles que trabalhamos.
A humanidade em geral aprendeu e evoluiu consoante a
utilização de símbolos, hoje são utilizados certamente em todas as áreas do
conhecimento, e até mesmo na dicção de uma simples palavra, que por
uma convenção arbitrária atribuímos às letras, palavras e idiomas sons
distintos; sujeitos a uma determinada interpretação. Na vida maçônica esta
regra ocupa um lugar de destaque, senão vejamos, assim que adentramos
ao Templo nossos olhos são guiados espontaneamente a todos os símbolos
presentes e dispostos harmoniosamente, assim, de modo a obter um
profícuo esclarecimento, buscamos o início, o significado da própria palavra
símbolo.

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira – “Símbolo. [Do gr.
Symbolon, pelo lat. Symbolu] S. m 1. Aquilo que por um princípio de
analogia representa ou substitui outra coisa; 2 Aquilo que por sua
forma e natureza evoca, representa e substitui, num determinado
contexto, algo abstrato ou ausente; 3 Aquilo que tem valor evocativo,
mágico ou místico; 4 Objeto material que, por convenção arbitrária,
representa ou designa uma realidade complexa...”

Assim a “corda de oitenta e um nós” é um símbolo
presente nos Templos maçônicos, e é encontrada no alto das paredes, junto
ao teto e acima das colunas Zodiacais, conforme estatuído no
R\E\A\A\. A corda será preferencialmente de sisal, sua disposição
inicia-se com a colocação e a observação do “nó” central dessa corda que
deve estar acima do Trono de Salomão (cadeira do V\M\) e acima do
dossel, se ele for baixo; ou abaixo dele e acima do Delta, se o dossel for
alto, sua significação representa o número UM, unidade, indivisibilidade,
sagrando-se por representar ainda o Criador, princípio e fundamento do
Universo. Dessa forma a corda conta ainda com quarenta “nós”,
eqüidistantes, de cada lado que se estendem pelo Norte e pelo Sul; os
extremos da corda terminam, em ambos os lados da porta ocidental de
entrada, em duas borlas, representando a Justiça (ou Eqüidade) e a
Prudência (ou Moderação), muito embora existam Templos na França que
apresentam cordas com doze “nós” representando os signos do Zodíaco.
Embora alguns exegetas afirmem que a abertura da corda,
em torno da porta de entrada do templo, com a formação das borlas,
simboliza o fato de estar, a Maçonaria, sempre aberta para acolher novos
membros, novos candidatos que desejem receber a Luz Maçônica, porém a
interpretação, segundo a maioria dos pesquisadores, é que essa abertura
significa que a Ordem Maçônica é dinâmica e progressista, estando,
portanto, sempre aberta às novas idéias, que possam contribuir para a
evolução do Homem e para o progresso racional da humanidade, já que
não pode ser Maçom aquele que rejeita as idéias novas, em benefício de
um conservadorismo rançoso, muitas vezes dogmático e, por isso mesmo,
altamente deletério.
Na busca do significado esperado, remontemos no
tempo... na Grécia antiga os cabelos longos das mulheres eram usados
para fazerem as cordas necessárias para a utilização na defesa das
cidades. Já os agrimensores egípcios usavam a cordas com “nós” para
declinarem os terrenos a serem edificados, sendo que os “nós”
demarcavam os pontos específicos das construções, onde deveriam ser
necessárias aplicações de travas, colunas, encaixes, representando,
portanto, os pontos de sustentação. Também fora utilizada, na Idade Média,
como instrumento para medir e demonstrar dimensões e proporções da
cúpula que se desejava construir através da sombra sabiamente provocada
por uma luz. Incontestavelmente ela é um elemento que pode ser composto
pelos mais diferentes materiais e que tem a finalidade de prender, separar,
demarcar ou em nosso caso “unir”. Sua origem mais remota parece estar
nos antigos canteiros trabalhadores em cantaria, ou seja, no
esquadrejamento da pedra informe medieval, que cercava o seu local de
trabalho com estacas, às quais eram presos anéis de ferro, que, por sua
vez, ligavam-se, uns aos outros, através de elos, havendo uma abertura
apenas na entrada do local.
Uma das possíveis origens da “corda de 81 nós”, ocorre
quando em 23 de agosto de 1773, por ocasião da palavra semestral em
cadeia da união na casa "Folie-Titon" em Paris, tomava posse Louis Phillipe
de Orleans, como Grão-Mestre da Ordem Maçônica, na França, onde
estavam presentes 81 irmãos em união fraterna, e a decoração da abóbada
celeste apresentava 81 estrelas.
Contudo encontramos ainda, na Sociedade dos
Construtores (Maçonaria Operativa), que foi o embrião na Maçonaria como
conhecemos hoje, a herança da “corda” que era desenhada no chão com
giz ou carvão, fazendo parte alegoricamente parte de um Painel
representativo dos instrumentos utilizados pelos Pedreiros Livres. Agora nas
reuniões maçônicas, seguindo o ritual, é pedido ao Irmão Guarda do
Templo que verifique se o Templo está "coberto" em sua parte externa, das
indiscrições profanas, somente iniciando os trabalhos após sua
confirmação. Seguindo a isto a protetora Corda Maçônica saiu do chão e
elevou-se aos tetos dos Templos, significando a elevação espiritual dos
Irmãos, que deixaram de trabalhar no chão com o cimento e passaram a
trabalhar no plano superior com o cimento místico que é a argamassa da
Espiritualidade. Esta corda é que oferece-nos proteção através da
irradiação de energias pela "Emanação Fluídica" que abriga e sustenta a
"Egrégora" (corpo místico) formada durante os trabalhos em Templo através
da concentração mental dos Irmãos, evitando que ondas de energia
negativa desçam sobre os presentes na reunião. As borlas separadas na
entrada do Templo funcionam como captores da energia pesada dos Irmãos
que entram, devolvendo-lhes esta energia sob forma leve e sutil quando de
sua saída.
A estrutura dos “nós” (melhor denominados “laços”)
representa o símbolo do infinito –¥– e a da perpetuação da espécie,
simbolizando na penetração macho/fêmea, determinando que a obra da
renovação é duradoura e infinita. Este é um dos motivos pelos quais os
laços são chamados "Laços de Amor", por demonstrar a dinâmica Universal
do Amor na continuidade da vida. Os átomos detêm toda a sabedoria do
Mundo, porque ele gera e cria novas propostas para a evolução humana. A
Corda de 81 laços representa a laçada como um "8" deitado, lembrando ao
Maçom que é preciso tomar muito cuidado para não puxá-la transformandoa
em nó o que significaria a interrupção e o estrangulamento da fraternidade
que deve existir entre os Irmãos. Os 81 laços são apresentados nos
Templos Escoceses do Brasil e Paraguai, cuja Maçonaria foi originada da
nossa
Depois de analisada a natureza dos símbolos, a disposição
simbólica da “corda de oitenta e um laços” no Templo, assim como sua
origem nesta sublime Instituição passemos a uma retida análise consoante
ao número 81, representado através dos laços eqüidistantes, senão
vejamos: Esotericamente, a “corda de oitenta e um laços” simboliza a união
fraternal e espiritual, que deve existir, entre todos os Maçons do mundo;
representa, também, a comunhão de idéias e objetivos da Maçonaria, que
evidentemente, devem ser os mesmos, em qualquer parte do planeta.
“Para que um símbolo se torne de fato um símbolo são
necessárias várias interpretações, justificativas e significados” já lecionavam
carinhosamente os “velhinhos” da A\R\L\S\“Barão de Ramalho”, e é
dessa maneira que a máxima se justifica, vez que mais uma vez
encontramos várias teorias acerca do tema proposto.
Nesse contexto, inicialmente abstrairemos o laço central
que é a representação G\A\D\U\ entre seu passado e o seu futuro,
representa o número um, a unidade indivisível, o símbolo de Deus, princípio
e fundamento do Universo; o número um, desta maneira, é considerado um
número sagrado. Destarte passemos às laterais com 40 laços, e lembramos
que este número marca a realização de um ciclo que leva a mudanças
radicais. A Quaresma dura 40 dias. Ainda hoje temos o hábito medicinal de
colocar pessoas ou locais sob "quarentena" como se nela estivesse a
purificação dos males antes existentes. Jesus levou 40 dias em jejum e
tentações. Os Hebreus vagaram 40 anos no deserto. Quarenta foram os
dias que durou o dilúvio (Gênese, 7-4). Quarenta dias passou Moisés no
monte Horeb, no Sinai (Êxodo, 34-28). Os 40 laços representam os 40 dias
que Jesus usou para preparar-se para a morte terrestre e os 40 dias que
ficou entre nós após a ressurreição, preparando-se para a Eternidade.
Ato contínuo analisemos as justificativas simbólicas no
próprio número 81 que segue os princípios místicos da Cabala, senão
vejamos: o número 81 é o quadrado de 9, que, por sua vez, é o quadrado
de 3, número Perfeito, bastante estudado em Escolas Esotéricas e de alto
valor místico, para todas as antigas civilizações; Três eram os filhos de Noé;
Três os varões que apareceram a Abraão; Três os dias de jejum dos judeus
desterrados; Três as negações de Pedro; Três as virtudes teolegais (Fé;
Esperança e Amor). Além disso, as tríades divinas sempre existiram, em
todas as religiões: Shamash, Sin e Ichtar, dos Sumérios - Osiris, Isis, Horus,
dos Egípcios - Brahma, Vishnu e Siva, dos Hindus - Yang, Ying e Tao, do
Taoismo - Pai; Filho e Espírito Santo, da Trindade Cristã. Também não
poderíamos deixar de citar a tríplice argamassa das oficinas Liberdade,
Igualdade e Fraternidade.
E ainda, os comportamentos humanos tem valores
numéricos, de acordo com as letras de seus nomes. As letras são divididas
em três grupos de 9 letras, cada letra com 3 chaves, a saber: o valor
numérico que lhe é próprio; o som que lhe é próprio; e a figura que a
caracteriza. Como temos nove variações comportamentais segundo a
Psicologia, teremos 81 variações de comportamento. Podemos, então dizer
em estudo livre, que esta corda mostra também os 81 comportamentos que
uma pessoa pode ter em uma existência, sendo então a representação do
indivíduo e suas mudanças humorais.
No ritual do Grau 20 do Supremo Conselho do Grau 33 do
Paraná encontramos uma explicação para os 81 laços; na página 35, ao
perguntar-se o porquê dos 81 laços, responde-se que Hiram Abiff tinha 81
anos quando foi assassinado. Também encontramos no Artigo II da
Constituição dos Princípios do Real Segredo para os Orientes de Paris e
Berlim, edição de 1762; para se chegar ao Grau 25, naquela época, eram
necessários 81 meses de atividades maçônicas. A Cosmogonia dos
Druídas, resumidas nas Tríades dos Bardos antigos, eram em número de
81 (as Tríades) e os três círculos fundamentais de que trata esta doutrina,
tem como valor numérico o 9, o 27 e o 81, todos múltiplos de 3. Ragon, em
seu livro "A Maçonaria Hermética", no rodapé da página 37, diz em uma
nota, que segundo o Escocês Trinitário, o 81 é o número misterioso de
adoração dos anjos. Assim, segundo Oswaldo Ortega, da Loja Guartimozim
de São Paulo, à luz do Esoterismo, ele cita que os 81 laços que estão no
teto, portanto, próximos do céu, tem ligação com os 81 anjos que visitam
diariamente a Terra, com mostram as Clavículas de Salomão, e se baseiam
nos 72 pontos existenciais (os 72 nomes de Deus), da Cabala Hebraica
modificada. A cada 20 minutos, um anjo desce à Terra e dá sua mensagem
aos homens. São 72 visitas no curso do dia, se levarmos em conta que a
cada hora teremos 3 anjos, em 24 horas, teremos 72 anjos. Agora,
somando 72 anjos aos nove planetas que nos influenciam diariamente
chegamos ao número 81. Sabemos que estes anjos podem nos ajudar se
os chamarmos pelos nomes no espaço de tempo que nos visitam. E eles
estão representados no teto do Templo, através dos 81 laços.
Pontofinalizando encontramos ainda outra denominação à
“corda”, ou seja, “Borda Dentada”, traduzida pela corda de nós (laços de
amor) que rodeia o “Quadro de Aprendiz” (3 ou 7 laços), assim como o
“Quadro de Companheiro” (5 ou 9 laços) terminada com uma borla em cada
extremidade e que per si mereceria um estudo próprio. Não obstante ao
explicitado, a lição primordial que nos resta é que a corda é a imagem da
união fraterna que liga, por uma cadeia indissolúvel, todos os Maçons,
simbolizando o segredo que deve rodear nossos augustos mistérios, assim
como representa a Cadeia de União permanente pela busca da proclamada
Fraternidade, tão bem explicitada no Salmo 133.

Fabricio J. Machado

Os deuses não concedem nunca aos mortais qualquer bem autêntico, sem esforço e sem uma luta séria para
obter. – Sócrates
BIBLIOGRAFIA
CASTELLANI, José. “O Rito Escocês Antigo e Aceito - História, Doutrina e
Prática”. 2. Ed. São Paulo: A Trolha, 1995.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. “Novo Dicionário Aurélio da
Língua Portuguesa”. 2. ed. 30. Impr. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira