sábado, 13 de junho de 2009

A Acácia


A Acácia na Lenda de Hiram Abif


“..., conduziram-no, ao cair da noite, para o Monte Moriah, onde o enterraram, assinalando a sepultura com um ramo de acácia.” (Ritual de Mest\).


“Quando, extenuados, os exploradores chegaram ao local de encontro, seus semblantes desencorajados só expressaram a inutilidade de seus esforços. ....Caindo literalmente de fadiga, (um) .... Mestre tentava agarrar-se a um ramo de acácia. Ora, para sua grande surpresa, o ramo soltou-se em sua mão, pois havia sido enterrado numa terra há pouco removida.” (Oswald Wirth).


“Os Mestres que foram na procura do Mestre Hiram Abif, encontraram um monte de terra que parecia cobrir um cadáver, e terra recentemente removida; plantaram ali um ramo de acácia para reconhecer o local. Conforme outra versão, a acácia teria brotado do corpo do Respeitável Mestre morto, anunciando a ressurreição de Hiram”. (Manual de Instrução para o Grau de M\ M\ da Gr\L\ de Chile).


Mesmo que a morte de Hiram Abif seja um dos fatos mais importantes dentro da ritualística do 3º Grau, não resulta estranho que existam diferentes versões derivadas de diferenças nas traduções tanto da Bíblia como de antigos Rituais maçônicos. Mas todos eles coincidem com que na sua sepultura surge um ramo de acácia.



A Acácia na Botânica.


A acácia é uma árvore leguminosa de madeira dura; muitas espécies produzem goma-arábica e outras fornecem caucho, guaxe (fruto comestível), tanino e madeiras de grande valor. Todas as espécies produzem flores perfumadas brancas ou amarelas, sendo muito usadas como adorno. A acácia, com suas quase 400 variedades, existe praticamente no mundo todo: América do Norte, Ásia, Índia, Egito, Norte da África, China, Austrália, etc. A acácia é universal. No Brasil a espécie acácia negra constitui uma das riquezas de Rio Grande do Sul.


A acácia de Egito tem a particularidade de ser uma árvore espinhosa e autores maçônicos especulam que a coroa de espinhos colocada na cabeça de Jesus era de este tipo de acácia. No hebraico antigo o termo shittah é usado para acácia sendo seu plural shittin. No texto original grego do Novo Testamento o termo usado é akanqwn (akanthon) que foi traduzido ao português tanto como acácia e como acanto, e que também pode significar espinho, espinhoso, etc. Esta palavra grega aparece em várias passagens da Bíblia mencionando a coroa de espinhos e também a árvore shittah. O Irmão Olintho de Almeida declara que “a coroa de acácia espinhosa na cabeça de Jesus, é símbolo de sabedoria”. Mas como devemos interpretar o gesto dos soldados romanos quando coroam a Jesus com espinhos? Podemos entender como mais um ato de crueldade com um sentido unicamente burlesco ou será que, aparentemente, houve alguém que conhecendo a simbologia encetada no ramo de acácia induziu à soldadesca a usar este tipo de coroa?



A Acácia na Antigüidade


Os povos antigos tiveram um respeito extremado pela acácia chegando a ser considerado um emblema solar porque suas folhas se abrem com a luz do sol do amanhecer e se fecham ao desaparecer o sol no fim do dia; sua flor imita o disco solar. Para os egípcios era uma árvore sagrada como, igualmente para antigas tribos árabes. O sentimento dos israelitas pela acácia começa com Moisés, quando na construção dos elementos mais sagrados é utilizada á acácia (Arca, Mesa, Altar) pélas suas características de resistência á putrefação.



A Acácia na Bíblia


“Plantarei no deserto o cedro, a árvore da sita, e a murta e a oliveira...” (Isaias 41:19). Como já temos visto no hebraico, shitat é o singular de acácia, mas na versão da Bíblia de João Ferreira de Almeida é traduzido como sita. Aliás, sita não aparece no Dicionário Brasileiro da Mirador.


“Também farão uma arca de madeira de cetim...” (Êxodo 25:10)

“Também farás uma mesa (dos pães da proposição) de madeira de cetim...” (Êxodo 25:23)

“Farás estes varais (para transportar a mesa) de madeira de cetim...” (Êxodo 25:28)

“Farás também as tábuas para o Tabernáculo de madeira de cetim...” (Êxodo 26:15)

“Farás também cinco barras de madeira de cetim ...” (Êxodo 26:26)

“E o porás sobre quatro colunas de madeira de cetim ...” Êxodo 26:31)

“E farás para esta coberta (do Tabernáculo) cinco colunas de madeira de cetim ...” (Êxodo 26:37)

“Farás também o altar de madeira de cetim ...” (Êxodo 27:1)

“Farás também varais para o altar, varais de madeira de cetim ...”(Êxodo 27:6)

Aqui João Ferreira de Almeida usa a expressão madeira de cetim e, conforme o Dicionário Brasileiro da Mirador cetim deriva do árabe zaituni e serve para designar um tecido de seda ou algodão macio e lustroso. Considerando que os estudiosos concordam que a Arca, a Mesa e o Tabernáculo foram construídos com acácia que existia no deserto (Isaias) por ser imputrescível, incorruptível e inatacável pelos predadores naturais, acreditamos que madeira de cetim é, no significado correto, madeira de acácia. Não poder-iam elementos de sustentação ou de transporte serem construídos com seda.


“E acamparam-se junto ao Jordão, desde Bete-Jesimote até Abel-Sitim ...” (Números 33:49)

Abel-Sitim no hebraico significa Vale das Acácias lugar que ficava 40 kms ao sul de Bete-Sita, mas não aparece nos Atlas modernos.


“... e o exército fugiu para Zererá, até Bete-Sita ...” (juizes 7:22)

Bete-Sita no hebraico significa Lugar da Acácia que no Atlas moderno aparece localizado no paralelo 32 e 30’ ao lado do rio Jordão.


A Bíblia é rica em alusões da madeira de acácia dando para ela usos sagrados o que, por sua vez, a converte em uma árvore sagrada.



A Acácia na Maçonaria


Na parte final da cerimônia de Exaltação, o Orador dirigindo-se ao novo Mestre convida-o a “... não parar na senda do progresso e da perfeição, porque A A\ M\ É C\”. Estas palavras lembram que a acácia tem sido consagrada como um importante símbolo no 3º Grau, mantendo uma tradição dos tempos antigos porque por sua característica de imputrescível simboliza a imortalidade da alma.


Também quando o Resp\ Mest\ pergunta ao Ven\ Ir\ 1er Vig\: “Sois M\ M\” e o interpelado responde: “A A\ M\ É C\” ele estabelece de imediato sua qualidade de M\ o que, conforme Oliver, equivale a dizer “tendo estado na tomba, he triunfado levantando-me dentre os mortos e, estando regenerado, tenho direto a vida eterna”.


A interpretação simbólica e filosófica da planta sagrada é riquíssima e lembra a parte espiritual que existe dentro de nós que, como uma emanação de Deus, jamais pode morrer. A acácia é, simplesmente, a representação da alma e nos leva a estudar seriamente nosso espírito, nosso eu interior e a parte imaterial da nossa personalidade.


Outra importante significação simbólica da acácia foi dada por Albert Gallatin Mackey (1807 – 1881) e por Bernard E. Jones (falecido em 1965) e que ressalta a Inocência; o grego akakia é usado para definir qualidade moral, inocência e pureza de vida. E do maçom, que já conhece a acácia, é esperada uma conduta pura e sem máculas.


Quando a Mac adotou a acácia em seus rituais? Certos rituais do séc. XVIII não fazem nenhuma alusão a ela e, menos ainda, a fórmula acima citada e tão conhecida de todos nós. A obra “Regulateur du Maçom” (Heredom) de 1801 transcreve a fórmula e em alguns rituais aparecem reproduções do quadro da Loja de Mestre, onde a acácia pode estar representada sobre um montículo ou sobre o esquife do Mestre Hiram Abif. É muito mais tarde que começam a aparecer explicações sobre a acácia, por exemplo, no “Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramita” de 1787. Também na obra “L’Ordre dês Franc-Maçons Trahi e Leur Sécret Revele” do Abade Péréau (1742) a acácia é mencionada amplamente e reproduzida no Painel. Resumindo, F. Chapius (1937) estima que a acácia nasce em nosso simbolismo junto com a Maçonaria especulativa.


Para terminar, das quase 600 espécies de acácia que existem a maçonaria tem incorporado em seus rituais a Robinia (ou Robinier) mais conhecida como falsa acácia, mas qualquer variedade que for usada não tira em absoluto o simbolismo do ritual.




BIBLIOGRAFIA


Siete e más .... Juan Agustín González M.(1955)

Manual do Gr\ de M\ G L de Chile (1970)

Ritual do Terc\ Gr\ Mac\ Simb\ do Brasil (1975)

Árvores e seus simbolismos Descartes de Souza Teixeira (Revista A Verdade, GLESP, Jan/Feb 1995)

A Simbólica Maçônica Jules Boucher (1996)