domingo, 15 de março de 2009

Os Três Pontos Maçônicos



Pesquisa Ir.: Jaime Balbino de Oliveira

O estudo da maçonaria esotérica repousa em grande parte no conhecimento do ternário.Os
três pontos usados após o nosso nome representam o maior emblema entregue ao
aprendiz na sua iniciação e que o acompanhará por toda a vida e em qualquer grau que ele
venha a alcançar no futuro. Eles resguardam um profundo e infinito segredo, onde estão
guardadas as respostas para o mistério de todo o universo: a origem de todas as coisas e
de todos os seres. Por conseguinte, de sua significação esotérica, nos mostram e nos
orientam sobre quais atitudes e comportamentos que o sincero e mais abnegado franco
maçom deve empreender em sua vida, a fim de que possa entender a verdades contidas
em seus ensinamentos.
Esta pequena peça arquitetônica, longe, encontra-se de sintetizar todo o significado dos
três pontos maçônicos; porém tenta-se discorrer um pouco sobre o seu simbolismo e nos
chama a atenção para o valor oculto das coisas que não podem ser esquecidas pelo
iniciado na ordem maçônica.
A origem do ternário tem seu início a partir do binário. Este, por sua vez, constitui uma
manifestação do princípio da Unidade, do todo, segundo os antigos "E n to Pan"- "Uno o
Todo". O todo é Uno em sua realidade, em sua essência e substância, tudo vem da
Unidade, que está contido e é sustentado por si mesmo. Sua representação é o ponto,
origem da linha reta, do círculo. Deste círculo, parte a linha reta, cuja representação é a
força que impõem direção rumo ao progresso retilíneo, como resultado de uma força
individual centrada no ponto ou centro de nosso ser. Como manifestação humana podemos
traduzi-la pelo desenvolvimento progressivo e progressista das potencialidades latentes nas
virtudes ou poderes ativos.
Como resultado dessa necessidade de expressão, a unidade possui realidade. Essa
manifestação da mesma, toma-se forma como manifestação da unidade. Daí surge como
dualidade deste processo, o segundo ponto. Esse caráter dual aparece em várias formas,
entrelaçadas em pares opostos. Esta propriedade marca o mundo dos efeitos(sua
expressão) e a lei que governa toda a manifestação ( a unidade). A dualidade expressa-se
de várias maneiras no mundo profano: temos dois olhos para dois ouvidos aos quais
correspondem dois hemisférios cerebrais(instrumentos orgânicos da inteligência); duas
mãos e dois pés, instrumentos de nossa vontade. No mundo esotérico: o bem e o mal, as
duas colunas, o princípio da vida sob o aspecto do pai e da mãe, o espaço e tempo, o céu e
a terra, o esquadro e o compasso e o ângulo, no qual duas linhas diferentes partem de um
único ponto, divergindo-se e prolongando-se à medida que se afastam das origem.
A manifestação da dualidade em sua atividade de pares opostos, assim como a luz se opõe
às trevas; o calor e o frio ou complementar, encontra um terceiro elemento, o intermediário
ou equilibrante ou princípio da harmonia. No caso das idéias, após examinarmos a tese e a
antítese, temos a conclusão de tal situação, que é a síntese dos argumentos favoráveis e
dos contrários. Todo ternário nasce da dualidade acrescida de uma nova unidade. Os três
pontos maçônicos constituem o mais simples e característico emblema do ternário. O ponto
superior representa a unidade fundamental, o absoluto. Os dois pontos inferiores são a
imagem da dualidade, as duas colunas, cuja união de múltiplas ações e reações é
produzida a multiplicidade fenomênica do universo. Se traçarmos duas linhas entre o ponto
superior e os dois inferiores, temos um ângulo que expressa a dualidade dos dois
princípios, oriundos da emanação de um só princípio. Ao traçarmos uma linha que uma os
dois pontos inferiores, teremos o triângulo, representando o terceiro que aparece como
novo aspecto da unidade absoluta. Isoladamente, os três pontos mostram os três princípios
que constituem a unidade e a dualidade da manifestação. O ponto superior corresponde ao
Oriente e ao mundo absoluto da realidade. Os dois inferiores ao Ocidente, ou seja, o mundo
relativo, o mundo da aparência. Na loja, às duas colunas emblemáticas da dualidade.
Como pequena síntese do ternário e sua respectiva aplicação na vida maçônica dos
iniciados, empreende-se que o progresso pessoal dentro da maçonaria requer que a
inteligência se erga sobre o domínio da mente concreta (aspectos da dualidade e dos
opostos),os dois pontos inferiores, situando-se no sentimento e na consciência da Unidade(
ponto superior), chegando-se na essência de todos os seres através das faculdades
superiores da mente que se baseiam na unidade,assim como a mente concreta baseia sua
lógica e suas conclusões no sentido da dualidade. A iluminação maçônica se faz quando
progredimos desde o Ocidente, que é o reino da ilusão, da multiplicidade e da aparência,
em direção ao Oriente,o reino do real, da unidade e do ser. Passa-se a reconhecer no
Ocidente o uno em diversos seres e coisas; no Oriente temos a Unidade na multiplicidade